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CCJ mostra caminho para reforma e para governo Bolsonaro

01:30 | 25/04/2019
Deputado André Fernandes.
Deputado André Fernandes.

A tramitação da reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados foi mais trabalhosa do que costuma ocorrer nesta fase. Fruto da desarticulação e dos erros do governo. Porém, a sessão que avançou na noite de terça-feira, 23, algumas semanas após o prazo estipulado, trouxe algumas lições e alguns caminhos para a articulação de Jair Bolsonaro (PSL). Pode ter sido desenhado um caminho para o governo se conduzir politicamente. Porém, ele tem custos.

A reforma da Previdência passou por obra de Rodrigo Maia (DEM-RJ) e do Centrão. Foram as forças que viabilizaram a aprovação, e não a operação do Palácio do Planalto. Trata-se de ícones e representações daquilo que Bolsonaro convencionou chamar de "velha política". Foi esta "velha política" quem aprovou a reforma. Dependesse do PSL, a CCJ estaria em reunião até agora, em obstrução da diminuta oposição.

Rodrigo Maia foi para dentro da sala da CCJ e orquestrou lá de dentro a trabalhosa aprovação. Ter tal empenho do presidente da câmara a seu favor é um trunfo para o governo. O problema é ficar refém. Isso é mais que um risco, é a realidade de agora. Além disso, Maia dá sinais de que não quer carregar sozinho esse piano.

Por caminhos tortos, o governo Bolsonaro achou um caminho para aprovar seus projetos na Câmara. Com dois problemas. Um: o abraço à "velha política". Dois: a reforma da Previdência tem apoios que nem todo projeto do governo tem. Isso vale para o próprio Rodrigo Maia e inclui partidos como o PSDB. Quem vota na Previdência não necessariamente vota no que mais vier do governo.

 

O papel da oposição

Há um cálculo que a oposição a Bolsonaro precisa fazer. Na CCJ, usou de todos os instrumentos para adiar a votação. Fez isso com o sucesso possível. Porém, era uma batalha perdida. O reflexo foi quase nenhum além de levar a base governista ao cansaço. A forma ostensiva de atrapalhar a todo custo pode ter como resultado mais concreto afastar quem potencialmente votaria contra a reforma, mas pode mudar de posição por antipatia à atitude dos opositores.

O candidato de Bolsonaro em Fortaleza

O PSL teria uma natural inclinação a apoiar Capitão Wagner (Pros) a prefeito de Fortaleza. Há sintonias, similaridade de bases eleitorais. O Capitão fez campanha para Bolsonaro. Porém, a postura do deputado federal tem sido de independência em relação ao Governo Federal. Como ele havia anunciado que seria após a eleição. Não há alinhamento automático. Sobre a reforma da Previdência, Wagner tem se colocado contra. A postura incomoda o PSL.

"Capitão Wagner é um bom candidato a prefeito de Fortaleza, sim. Infelizmente, está dando muita canelada e, se continuar desse jeito, vamos lançar candidatura própria", disse ao jornalista Carlos Mazza o deputado estadual André Fernandes, presidente do PSL em Fortaleza.

André Fernandes é o deputado estadual mais votado do Ceará nas eleições 2018. (Foto: Mateus Dantas / O Povo)
André Fernandes é o deputado estadual mais votado do Ceará nas eleições 2018. (Foto: Mateus Dantas / O Povo)

Quem pode ser candidato

Na hipótese de o PSL ter candidato, o mais provável nome é o do próprio André Fernandes. O líder mais graduado do partido de Bolsonaro no Estado é Heitor Freire, presidente estadual da legenda e deputado federal. Mas, Fernandes é mais forte de voto. Teve 109 mil eleitores para a Assembleia Legislativa, maior votação do Estado. Freire teve 97 mil. Foi o 18º entre 22 concorrentes à Câmara dos Deputados.

Youtuber e digital influencer, Fernandes demonstrou, até aqui, o maior potencial de votos do PSL cearense. Questionado se topa concorrer a prefeito no caso de a aliança com o Capitão Wagner não vingar, ele respondeu: "Missão é missão".

 

Érico Firmo