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"Chamar de viado, para mim, é elogio"

| É ORGULHO QUE FALA? | Num intervalo de dez dias o STF criminalizou a LGBTfobia no Brasil e o governo "conversador nos costumes" se viu acuado por um casal gay proudtobe. É tempo de celebrar!
00:00 | Jun. 20, 2019
Autor Émerson Maranhão
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Émerson Maranhão Jornalista e realizador audiovisual
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Tipo Notícia

"Querem me ofender dizendo que sou viado. Como se ser gay fosse motivo para uma pessoa não ser levada a sério. Chamar de viado, para mim, é elogio". A afirmação, mais proudtobe impossível, foi dada esta semana pelo deputado federal David Miranda (Psol-RJ) durante entrevista ao canal Universa, do portal Uol.

Casado há 14 anos com o jornalista Glen Greenwald e, junto com ele, pai de dois filhos, David e o marido estão no centro das atenções - e no olho do furacão - desde que o site The Intercept, editado por Greenwald, divulgou conversas entre o então juiz da operação Lava Jato, Sergio Moro, e o procurador Deltan Dallagnol.

As denúncias atingiram em cheio Moro, que hoje é um dos superministros do governo Bolsonaro, e por consequência a gestão que ele integra. E é sobre este ponto que a Cena G se debruça. Não deixa de ser irônico, para dizer o mínimo, que o governo que levanta a bandeira do "conservadorismo nos costumes" se veja acuado justamente por um casal gay fora do armário, interrracial e sexualizado (o delicioso vídeo de David rebolando ao som de Anitta no Carnaval não deixa dúvidas sobre a última característica listada).

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David e Glen, aliás, representam boa parte do que este governo insiste em negar. Para Bolsonaro e cia, pares homoafetivos não deveriam existir, não poderiam adotar crianças, muito menos se casar. Que dirá ser composto por duas pessoas bem-sucedidas, influentes em suas áreas e aceitas socialmente?

O engraçado é que para desqualificar a denúncia, os defensores do governo correram a "acusar" Glen e David de serem um casal (oi?), de serem viados (oi again?). O que eles teimam em invisibilizar ocupa agora o centro dos holofotes. Impossível negar-lhes a existência (como pretendem os que esperam pela volta triunfal da Idade Média).

Mas este não foi o único golpe sofrido neste dias pelos radicais do conservadorismo de plantão. Finalmente o Supremo Tribunal Federal criminalizou a LGBTfobia, equiparando sua prática ao racismo. Não adiantaram os apelos dos fundamentalistas (supostamente) religiosos nem as manobras políticas que tentaram impedir o julgamento da ação, como o próprio Bolsonaro disse que deveria ter sido feito por algum dos ministros (no Blog do Maranhão tem uma análise a respeito).

Isso tudo em pleno mês do orgulho LGBT (XYZ), às vésperas da maior Parada do País e quando se comemoram os 50 anos da Batalha de Stonewall. Grande semana! Grande mês! Ou seja, abundam motivos para celebrar! Celebremos muito, pois!

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