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Cid, Luizianne e o 2020 possível

00:Apr | 08/04/2019
LUIZIANNE é considerada liderança forte do PT
LUIZIANNE é considerada liderança forte do PT

Apartados politicamente desde 2012, a ex-prefeita Luizianne Lins (PT) e os irmãos Cid e Ciro Gomes (PDT) nunca estiveram em contexto tão propício para uma reaproximação. Explico: apesar de ninguém ainda admitir publicamente, há entendimento avançado na direção nacional do Partido dos Trabalhadores para que a legenda conquiste grandes prefeituras em 2020. Saindo-se mal nos grandes centros do Brasil nas últimas eleições, petistas estão dispostos até em abrir mão de capitais em prol de grandes cidades onde exista chances reais de vitória.

Tal busca encontra caldo curioso no Ceará. Estado dos mais favoráveis aos petistas em 2018 e por onde foi eleita uma das principais lideranças do partido no País (o governador Camilo Santana), o xadrez cearense é repleto de possibilidades de candidaturas fortes do PT na próxima eleição municipal. Algumas delas já estão claramente na mesa, como a do deputado estadual Fernando Santana (ex-chefe de Gabinete do governador) em Barbalha, mas outras, principalmente na Região Metropolitana de Fortaleza, seguem "deixadas para lá" - pelo menos até agora.

E é nesse contexto que PDT e PT teriam muito a ganhar com uma reaproximação entre Luizianne e os irmãos Ferreira Gomes. Com planos claros de fazer o sucessor de Roberto Cláudio (PDT) em 2020, pedetistas sabem que terão uma batalha dura contra Capitão Wagner (Pros), até agora único nome confirmado (e franco favorito) na disputa. Não se podem dar ao luxo, portanto, de racharem a base aliada do prefeito com uma candidatura adversária dos petistas.

Rivais e ex-amigos

Como as reaproximações com Eunício Oliveira (MDB) e Domingos Filho (PSD) na eleição passada deixaram claro, Cid e o PT local não parecem ver problema em colocar de lado as diferenças com ex-aliados em prol de um pragmatismo eleitoral mais imediato. O problema maior ficaria por conta de Luizianne, que não esconde as mágoas com os irmãos pela "rasteira" promovida em 2012 que acabou derrubando o candidato da petista, Elmano de Freitas (PT), e alçando Roberto Cláudio à Prefeitura.

Acontece que, passados seis anos, o próprio Elmano é hoje deputado estadual, atua como aliado fiel do projeto do PDT na Assembleia e foi, no início deste ano, cotado até para assumir a liderança do governo de Camilo Santana - o mais cidista dos petistas - na Casa. O cenário pode mudar (sobretudo com as frequentes críticas de Ciro a petistas no ramo nacional), mas a tendência hoje é de um acerto possível, como sempre houve, entre PDT e PT para 2020.

 

O que ficaria com Luizianne

Nesse contexto, há interesse claro do grupo dos Ferreira Gomes em articular uma candidatura de Luizianne Lins, ainda vista como liderança importante do petismo, em algum município da Região Metropolitana de Fortaleza. Com o apoio da base de pedetistas e do governador, a deputada teria caminho "livre" para uma vitória importante para a sigla, hoje em situação bastante frágil nos grandes centros do Ceará. Do outro lado, o sucessor de Roberto Cláudio ficaria livre para usar a influência do ex-presidente Lula (PT) - sempre grande aliada nas campanhas locais - contra um Wagner fortalecido pela vitória de Jair Bolsonaro (PSL).

A oferta envolveria municípios grandes, como Maracanaú ou Caucaia, mas ainda segue sem definições. Procurados pela coluna, aliados da ex-prefeita negam a perspectiva e falam que Luizianne ainda é favorita para disputar novamente pela Prefeitura de Fortaleza em 2020. O fato é que, até agora, a perspectiva de união entre PDT e PT tem sido articulada por gente grande do clã Ferreira Gomes nos corredores do Congresso Nacional.

Carlos Mazza