Beto Guedes estreia show comemorativo em Guaramiranga
Retomando as apresentações da escadaria da igreja matriz, Guaramiranga recebeu Beto Guedes na programação do 27º Festival Jazz & Blues
19:02 | Fev. 17, 2026
Quem viveu os primeiros anos do Festival Jazz&Blues em Guaramiranga guarda na memória os shows que aconteciam na escadaria da Igreja Matriz. Não bastassem os degraus darem aquele ar de anfiteatro, o casario, o cristo e a própria igreja faziam dali um cenário perfeito para as apresentações. Em seguida, a pedida era descer para a praça principal e ver a programação do Teatro Raquel de Queiroz.
Infelizmente, foram 16 anos em que o festival aconteceu sem esses dois palcos. Com o fechamento do teatro e o pouco caso do poder público local para a reabertura, foi construída uma tenda que abrigou o Jazz&Blues até o ano passado. Mas ambos os espaços foram retomados em 2026, quando o evento que acontece no período do Carnaval chegou à sua 27ª edição.
A programação em Guaramiranga teve início na segunda, 9, com uma masterclass ministrada pelo baixista Miquéias dos Santos com o baterista Adriano Azevedo. Ambos ainda apresentaram um show na noite da segunda, 16, no teatro. De sábado, 14, até terça, 17, o festival se dividiu em lançamentos de livros, oficinas, teatro infantil, apresentações de músicos locais na praça principal, cortejo de maracatu, jam sessions e muitos shows, de Fauzi Beydoun (Tribo de Jah) a Rosa Passos.
Beto Guedes estreia "Página 43"
E foi em meio a essa programação que Beto Guedes estreou a turnê “Página 43”, que celebra seus 75 anos – completados em 13 de agosto próximo. O nome do show faz alusão à canção “Page 43”, do lendário compositor norte-americano David Crosby, uma das influências do Clube da Esquina, movimento musical que tem em Beto um dos pilares. Outras duas referências dessa geração de músicos mineiros, Lô Borges e Milton Nascimento foram homenageados no show com a releitura de “Canção da América”. A homenagem foi discreta, apenas com ele citando uma de suas parcerias com Lô, que faleceu em novembro de 2025 aos 73 anos. Milton, 83 anos, que foi diagnosticado com Parkinson e demência, não foi citado, mas é impossível não ligar os versos “amigo é coisa pra se guardar debaixo de sets chaves” à sua voz e carreira.
De perfil discreto, meio tímido, pouco falante, Beto Guedes iniciou o show com canções menos populares do seu repertório, até chegar “Espelhos d’água”, uma de suas célebres baladas. De guitarra em punho e dando pequenos goles numa cerveja, ele virou o jogo na segunda metade da apresentação puxando os muitos hits da carreira com a energia dos roqueiros que ele admira. A banda contou com Will Motta (teclados), Adriano Campagnani (contrabaixo), Cyrano Almeida (bateria) e Ian Guedes, filho de Beto, compartilhando vocais e guitarra.
“Lumiar”, “Amor de índio”, “Sol de Primavera”, “Feira Moderna” (parceria com Lô, bem lembrada na ocasião), “A página do relâmpago elétrico”, entre outras, desfilavam no repertório enquanto o público – em sua grande maioria adulta – cantava junto, aplaudia e balançava capas de LP. Após cerca de uma hora de apresentação, Beto Guedes se despediu e foi intimado a fazer um bis. Logo voltou para cantar “Cantar”, uma das belas canções de seu pai, Godofredo Guedes.
Jazzera canta Clube da Esquina e Moacir Bedê comemora 40 anos de carreira
Antes de Beto Guedes, o Clube da Esquina já havia sido homenageado pelo grupo Jazzera, que abriu o palco da Igreja Matriz na segunda, 16. O quarteto, natural de Guaramiranga, relembrou “Manuel o audaz”, do também mineiro Toninho Horta, e “Trem Azul”, de Lô Borges e Ronaldo Bastos. O Jazzera é formado por Wagner Ferreira (baixo), Marcelino Ferreira (guitarra), Rafael Teixeira (bateria) e Denny Almeida (violão).
Em seguida, foi a vez de Moacir Bedê subir ao palco para comemorar seus 40 anos de carreira. Multi-instrumentista, ele fez uma seleção de composições registradas em seus discos autorais, como ele mesmo afirmou, quase 100% instrumentais. Acompanhado por Fábio Amaral (contrabaixo elétrico), Bruno Vasconcelos (bateria) e Thais Costa (percussão), ele apresentou uma variação de ritmos e melodias de muita beleza e sensibilidade. Reforçando o time, ele convidou Ellis Mário, um dos músicos mais celebrados do Ceará, para tocar flauta e saxofone, e Loren Gualda, para cantar algumas de suas canções que ganharam letra.