Deputados pedem investigação sobre venda de ingressos para shows de Harry Styles no Brasil

Os fãs do cantor relataram dificuldade na compra de ingressos para shows em São Paulo. Os deputados Guilherme Cortez e Erika Hilton acionaram órgãos para investigar possível ação para beneficiar cambistas

17:02 | Jan. 27, 2026

Por: Lorena Frota
Harry Styles é um dos protagonistas do filme 'Don't Worry Darling', que estreia em 2022 (foto: Kevin Winter / Getty Images / AFP)

A venda de ingressos para shows do cantor Harry Styles, previstos para os dias 17 e 18 de julho, em São Paulo, foi alvo de denúncia, junto a A Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor, pelos deputados federais Guilherme Cortez e Erika Hilton, ambos do Psol.

O pedido de investigação foi aberto após reclamações dos fãs do artista, com a justificativa de "fortes indícios de atuação organizada de cambistas e de falhas estruturais na comercialização".

Em uma publicação na plataforma X (antigo Twitter), a deputada Erika Hilton afirma que fez um pedido de apuração para a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e para o Procon-SP sobre o esgotamento irregular de ingressos para o show, por meio do Ofício n° 545/2026. 

"Como as primeiras pessoas das filas, tanto a geral quanto a PCD, não conseguiram comprar ingressos, mas os cambistas já tinham ingressos em mãos? Houve venda prévia aos cambistas? Para os cambistas, não havia limites de vendas de ingressos? Os cambistas faziam parte da campanha publicitária de venda do Banco Santander?", escreveu a parlamentar. 

Já o deputado Guilherme Cortez disse, na mesma plataforma, que "está lutando contra a máfia dos ingressos" e que as denúncias realizadas "já tiraram o Procon e outros órgãos regulatórios da zona de conforto" para entrar em ação e tomar medidas sobre o caso.

"Queremos o fim dessas práticas criminosas. Nosso próximo passo é desmantelar o esquema das ticketerias e chegar enfim à proibição desses absurdos. Por exemplo, já temos as assinaturas para instalar uma CPI para investigar essa máfia, mas agora precisamos pressionar a ALESP para instalá-la", declarou o deputado.

Em uma outra publicação da mesma semana, ele comenta que "há uma indústria lucrando às custas da extorsão dos sonhos de fãs, que envolve cambistas, produtoras e ticketerias".

E completa: "Esse conluio age cobrando taxas abusivas, que ultrapassam o valor dos próprios ingressos, e desnecessárias (como, por exemplo, a taxa de envio por e-mail), além de facilitar a ação de cambistas, que revendem por valores ainda maiores".

O que diz a empresa?

A empresa responsável pela venda dos ingressos, a TicketMaster, negou qualquer irregularidade na comercialização. Em nota ao portal G1, a empresa explica que não vende ou faz qualquer parceria com "operadores de revenda" e cambistas. 

"Na bilheteria física, a venda de ingressos é feita estritamente de acordo com as diretrizes definidas pelo organizador do evento, incluindo limites de compra por pessoa e por CPF. Os ingressos são vendidos para qualquer pessoa fisicamente presente na fila, por ordem de chegada e dentro dos limites estabelecidos", afirma. 

A empresa diz ainda que trabalha "para impedir que agentes mal-intencionados acessem tickets" e que o setor vive "em meio a uma corrida de cambistas que usam bots cada vez mais sofisticados". Segundo eles, há o investimento de "centenas de milhões de dólares" em recursos tecnológicos para a prevenção de abusos.