PSDB e Podemos encerram negociações de fusão após impasse sobre comando do novo partido
PSDB e Podemos encerram negociações de fusão após impasse sobre quem comandaria a nova sigla; partidos buscam alternativas para 2026
20:34 | Jun. 13, 2025
Após meses de articulações, o PSDB e o Podemos decidiram suspender definitivamente a fusão que vinha sendo projetada. O impasse decorre da discordancia à liderança do partido resultante da eventual combinação das duas legendas.
O ponto central do desacordo era o modelo de comando da nova sigla. O Podemos queria que a presidente nacional Renata Abreu assumisse o comando do partido pelos primeiros quatro anos.
Já o PSDB propôs um sistema alternado, com rodízio semestral, depois anual, entre as duas legendas.
As negociações foram interrompidas oficialmente após reunião entre Renata Abreu e dirigentes como Marconi Perillo e Aécio Neves. Houve resistência de ambos os lados: o Podemos, por querer manter sua cúpula; o PSDB, pela intenção fde preservar autonomia.
Em números, os partidos têm bancadas similares no Congresso. No momento, o PSDB conta com 13 deputados e 3 senadores, enquanto o Podemos possui 15 deputados e 4 senadores. Essa proximidade ampliava as ambições de ambos, mas também intensificou o atrito pela liderança.
A fusão foi vista inicialmente como resposta à perda de representatividade do PSDB. A sigla, que já foi protagonista da política nacional, registra hoje uma bancada reduzida e a saída recente de governadores como Eduardo Leite (RS) e Raquel Lyra (PE).
Nos primeiros dias de junho, o PSDB chegou a aprovar em convenção nacional o início do processo de incorporação do Podemos, num movimento no qual esperava somar cerca de 28 deputados e 7 senadores, o que auxiliaria no cumprimento da cláusula de barreira e na manutenção de tempo de TV e fundo partidário.
No entanto, o fracasso das conversas levou o PSDB a retomar negociações com outras legendas. Estão novamente na pauta discussões com Republicanos, MDB e Solidariedade, dessa vez visando formar uma federação — mecanismo que permite alianças técnicas sem fusão formal.
A federação PSDB–Cidadania, atual, desfaz-se em 2026, o que abre possibilidade para novas parcerias. A estratégia de formar federação resistiu ao contrário de fusões por preservar identidade própria, prazo limitado (quatro anos) e somar bancadas para manter acesso a recursos eleitorais .
Do ponto de vista institucional, a deserção do Podemos pode ser interpretada como um posicionamento estratégico para evitar perder controle interno. Enquanto isso, o PSDB passa a considerar a federação como alternativa mais viável à fusão, diante dos riscos políticos e legais que envolvem a extinção de legendas.
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