Cearenses integravam alas "moderada" e "radical" de Bolsonaro no plano de golpe, diz Mauro Cid

Os generais Estevam Theophilo e Paulo Sérgio foram citados em delação premiada do ex-ajudante de ordens Mauro Cid a Polícia Federal (PF) como integrantes do núcleo mais duro de apoio a Bolsonaro

12:42 | Jan. 29, 2025

Por: Guilherme Gonsalves
Generais Paulo Sérgio Nogueira e Estevam Cals Theóphilo Gaspar de Oliveira foram indiciados pela PF por tentativa de golpe (foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil; Alberto César Araújo/Aleam)

Após vir à tona o depoimento incluído no primeiro anexo da delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), ficou mais clara a participação de aliados do ex-presidente da trama golpista montada após a derrota nas eleições de 2022. Entre os integrantes da intentona, se destacam dois generais cearenses: o general Estevam Teóphilo, que era chefe do Comando de Operações Terrestres (Coter), e o general Paulo Sérgio, ministro da Defesa na época.

Dentro do núcleo duro próximo de Bolsonaro, haviam os mais moderados, os conservadores de linha política e os mais radicais, que defendiam medidas e insinuavam uma trama golpista para garantir a permanência no poder. Cid cita Paulo Sérgio como membro do grupo moderado e, em outro momento, como alguém "menos radical" da ala mais dura e radical. Já Teóphilo seria apenas da ala moderada. 

Leia tudo o que Mauro Cid disse sobre Bolsonaro em seu 1º depoimento à PF

De acordo com a delação de Cid à PF, apesar de não concordar com certas prisões e considerar abusos jurídicos do Supremo Tribunal Federal (STF), ambos entendiam que nada poderia ser feito com a derrota na eleição e qualquer outro movimento seria golpe armado e que representaria um regime militar por mais 20 ou 30 anos.

O grupo dos "moderados" era composto basicamente por generais da ativa que tinham mais contato com Bolsonaro e, segundo Mauro Cid, eram as pessoas que o ex-presidente mais gostava de ouvir. 

"Esse grupo temia que o grupo radical trouxesse um assessoramento e levasse Bolsonaro a assinar uma 'doideira'. Havia um grupo de moderados que entendia que o presidente deveria sair do país", disse o tenente-coronel.

O general cearense Paulo Sérgio também integrava uma subdivisão "menos radical" do grupo mais radical, que tinha como foco achar possíveis fraudes nas urnas eletrônicas, se colocava a favor de um "braço armado" nas eleições e queria que Bolsonaro assinasse um decreto, na confiança de ter apoio popular.

O ex-presidente criou uma Comissão de Transparência para buscar as supostas fraudes e pressionava por atuação mais contundente de Paulo Sérgio. A comissão também era composta pelo ex-ministro da Saúde, general Pazzuello, e pelo presidente do PL, Valdemar da Costa Neto. Bolsonaro queria que o grupo produzisse um documento "duro" contra as urnas.

O ex-chefe da República repassava as possíveis denúncias para Pazzuello e Paulo Sérgio para que fossem apuradas. O grupo tentava encontrar algum elemento concreto de fraude, mas a maioria dos possíveis problemas detectados era explicada por questões estatísticas.