Mauro Cid nega participação em reunião sobre minuta golpista

Ao todo, foram mais de nove horas de oitiva, nas quais Cid respondeu a todos os questionamentos da PF

16:22 | Mar. 12, 2024

Por: Ludmyla Barros
Ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), tenente-coronel Mauro Cid, prestou um novo depoimento à Polícia Federal, nesta segunda-feira, 11 (foto: Lula Marques/ Agência Brasil)

O ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), Mauro Cid, prestou um novo depoimento à Polícia Federal, nesta segunda-feira, 11. Na ocasião, Cid disse que não participou da reunião de teor golpista realizada por Bolsonaro e que só teve conhecimento da minuta por meio dos comandantes do Exército, Marco Antônio Freire Gomes; da Aeronáutica, Baptista Junior; da Marinha, Almir Garnier. A reunião do golpe teria ocorrido em julho de 2022 e os registros em vídeo foram encontrados no computador de Mauro Cid.

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Ao todo, foram mais de nove horas de oitiva, nas quais Cid respondeu a todos os questionamentos da PF. O novo depoimento ocorre após declarações dos ditos participantes do encontro com o ex-ajudante de ordens: Freire Gomes e Baptista Junior. Almir também foi chamado a depor, mas ficou em silêncio.

O tenente-coronel disse que ficou sabendo que Bolsonaro pressionou comandantes militares para embarcarem na tentativa de golpe. Informações são do jornal Correio Braziliense. Anteriormente, Cid havia omitido a participação do ex-presidente na trama golpista e suas intenções de levar o plano adiante e, em seguida, disse que Bolsonaro “queria pressionar as Forças Armadas para saber o que estavam achando da conjuntura”.

Após a liberação dessa segunda fala, o ex-ajudante de ordens teria dito que tudo foi tirado de contexto e que “nunca disse que o presidente tramou o golpe”. “O que havia eram propostas sobre o que fazer caso se comprovasse a fraude eleitoral, o que não se comprovou e nada foi feito”, afirmou.

Segundo o jornal O Globo, Freire Gomes declarou que Bolsonaro lhe apresentou diretamente a "minuta de golpe" e defendeu levar o plano adiante. A versão não é sustentada pelo ex-presidente. Contradições como estas: no próprio depoimento de Cid e em relação às falas de outros investigados e testemunhas, como Gomes, foram o que levaram o tenente-coronel a ser ouvido mais uma vez pela PF.

Cid, anteriormente havia sustentado outra tese: de que Bolsonaro recebeu a minuta do ex-assessor da Presidência Filipe Martins, mas não falou em pôr em prática a trama golpista. Martins negou a acusação.

Todas as declarações do tenente-coronel estão sob o âmbito da delação premiada, ou seja, ele tem a obrigação de dar novas informações para a PF e não está sendo investigado. Além disso, não pode mentir ou omitir informações.

Para a PF, apesar de colaborar, Cid tende a omitir as participações de Bolsonaro, pela afeição que ainda mantém pelo ex-presidente.