Abin sob Lula tentou atrapalhar investigação sobre espionagem ilegal, diz PF
Conforme Alexandre Moraes, a "gravidade ímpar dos fatos" cresce com o possível conluio de parte dos investigados com a atual gestão da Abin
19:37 | Jan. 26, 2024
Em decisão que autoriza a deflagração da Operação Vigilância Aproximada, da Polícia Federal (PF), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou ter havido conluio entre a atual cúpula da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e parte dos investigados. O objetivo, segue Moraes, teria sido frear o avanço das investigações sob alegação de "exposição de dados sensíveis".
"O alegado temor de exposição de dados sensíveis, em verdade, se mostrou, até a presente quadra investigativa, como subterfúgio para evitar a devida apuração dos fatos. A preocupação de 'exposição de documentos' para segurança das operações de 'inteligência', em verdade, é o temor da progressão das investigações com a exposição das verdadeiras ações praticadas na estrutura paralela, anteriormente, existente na ABIN", ressalta Moraes.
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"A gravidade ímpar dos fatos é incrementada com o possível conluio de parte dos investigados com a atual alta gestão da ABIN cujo resultado causou prejuízo para presente investigação, para os investigados e para própria instituição", complementa o ministro.
A PF investiga se Agência Brasileira de Inteligência (Abin) foi usada para a realização de espionagem ilegal. Entre os alvos estariam os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, assim como o ex-governador do Ceará e ministro da Educação, Camilo Santana (PT).
Foram cumpridos 21 mandados de busca e apreensão, assim como medidas cautelares diversas da prisão contra suspeitos de participar de espionagem ilegais na agência. Sete policiais federais que, durante o governo Bolsonaro, estavam cedidos à Abin tiveram as funções suspensas.
O deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) é o principal alvo da operação até agora. Delegado de Polícia Federal, ele foi o diretor-geral da agência no governo Bolsonaro, nomeado em julho de 2019, mês após ter sido impedido de assumir a direção-geral da Polícia Federal.
Ramagem foi nomeado pelo então presidente Bolsonaro para dirigir a Abin em julho de 2019, um mês após o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, barrar a nomeação dele para a direção-geral da PF. Moraes, inclusive, é um dos ministros do Supremo que também teriam sido espionados, ao lado de Gilmar Mendes.