Golpe é "fantasia" para legitimar polarização, diz Aldo Rebelo, ex-ministro da Defesa
Com atuação na Câmara dos Deputados por cinco mandatos, Aldo já presidiu a Casa Legislativa e foi ministro de quatro pastas diferentes nas gestões petistas
16:50 | Jan. 08, 2024
O ex-ministro da Defesa, Aldo Rebelo, se manifestou acerca dos ataques golpistas às sedes dos Três Poderes, em Brasília, que completam um ano nesta segunda-feira, 8. Em entrevista ao Poder 360, divulgada nesta segunda-feira, Aldo contestou a postura do governo Lula (PT) em dizer que a gestão sofreu uma tentativa de golpe de Estado.
“Faz bem à polarização atribuir ao antigo governo a tentativa de dar um golpe. Criou-se uma fantasia para legitimar esse sentimento que tem norteado a política nos últimos anos. É óbvio que aquela baderna foi um ato irresponsável e precisa de punição exemplar para os envolvidos. Mas atribuir uma tentativa de golpe àquele bando de baderneiros é uma desmoralização da instituição do golpe de Estado“, disse Aldo.
Com atuação na Câmara dos Deputados por cinco mandatos, Aldo já presidiu a Casa Legislativa e foi ministro de quatro pastas diferentes nas gestões petistas: Coordenação Política (2004-2005), Esporte (2011-2015), Ciência e Tecnologia (2015) e Defesa (2015-2016).
Aldo também comparou os ataques golpistas a um atos do Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST), uma dissidência do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que em 6 de junho de 2006 invadiu a Câmara dos Deputados, deteriorou uma parte do patrimônio e deixou 24 pessoas feridas, sendo uma delas em estado grave.
“Eles levaram um segurança para a UTI, derrubaram um busto do Mário Covas. Eu dei voz de prisão a todos. A polícia os recolheu e eu tratei como o que eles de fato eram: baderneiros. Não foi uma tentativa de golpe. E o que houve em 8 de Janeiro é o mesmo“, comparou. Aldo era o presidente da Câmara dos Deputados, à época.
De acordo com ele, a narrativa de que Lula e as ações do Supremo Tribunal Federal (STF) salvaram a democracia se encaixam em outro propósito. Ambos enfrentaram entraves no Legislativo. O petista teve dificuldade em aprovar pautas de seu interesse em 2023 e viu um número robusto de vetos serem derrubados. O Judiciário, por sua vez, lida com projetos de lei que visam diminuir o seu poder.
“Atribuir ao STF a responsabilidade de protetor da democracia é dar à Corte uma função que ela não tem nem de forma institucional, nem politica. Isso atende às necessidades do momento. Há uma aliança do Executivo e do Judiciário em contraponto ao Legislativo, onde o Executivo não conseguiu ter maioria. É uma compensação“, afirmou.
Em 2015, Aldo lutou ativamente contra o impeachment de Dilma Rousseff (PT), criticando as medidas da Suprema Corte que, no entendimento dele, permitiram que o processo continuasse até destituir a petista.
“Tive sempre uma posição critica com relação à destituição da presidente Dilma, que foi um erro histórico. E contou com o protagonismo importantíssimo do STF“, pontuou.
Atualmente, o ex-ministro não cumpre funções políticas. Seu último cargo foi em 2018, quando assumiu o cargo de secretário-chefe da Casa Civil do governo de Márcio França, em São Paulo. Nos dias atuais, o ex-governador é hoje ministro do Empreendedorismo de Lula. Perdeu o posto de ministro dos Portos e Aeroportos para o Centrão.
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