Bolsonaro chama demissão de Alexandre Garcia de "algo estarrecedor" e volta a criticar vacinas
Durante a cerimônia de lançamento do Crédito CAIXA, que marca o início dos eventos relacionados aos 1.000 dias de governo da atual gestão, o presidente também comentou os casos de corrupção em seu governo
15:34 | Set. 27, 2021
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) criticou a demissão do Jornalista Alexandre Garcia, pela CNN, em discurso realizado nesta segunda-feira, 27, em um evento em alusão aos 1.000 dias de governo, no Palácio do Planalto. Durante a fala, Bolsonaro também voltou a questionar a eficácia da vacina contra o Coronavírus e reafirmou ser contra a obrigatoriedade da imunização.
Garcia comentava as denúncias contra a Prevent Senior durante o quadro “Liberdade de Opinião”, parte do programa “Novo Dia”, quando declarou que os “remédios sem eficácia comprovada salvaram milhares de vidas”. Porém, de acordo com a comunidade científica mundial, os medicamentos do chamado “tratamento precoce” não têm eficácia contra a infecção pelo vírus ou no tratamento da Covid-19.
Ao comentar o caso, Bolsonaro afirmou estar preocupado com a liberdade. “Assisti na semana passada algo estarrecedor, numa grande rede de televisão, num quadro conhecido como “Liberdade de Opinião”, um famoso jornalista foi demitido por sua opinião. Não tem coisa mais absurda do que isso. Para onde estamos caminhando?”, perguntou.
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Ainda sobre o assunto, o presidente citou uma conversa que teve com o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, que cumpre o isolamento nos Estados Unidos após ser infectado pelo novo coronavírus. Bolsonaro sugeriu que teria questionado ao ministro se ele faria uso de tratamento precoce, e ainda fez brincadeiras com a utilização de máscara e vacinas.
“Chegou para mim em primeiro lugar, o nome do Queiroga que estava ali infectado e eu fui no quarto do Queiroga. Tava arrumadinho, cheiroso, bonitinho, feliz. Daí disse: ‘E aí Queiroga, tudo bem contigo? Tomou a vacina?’”. O ministro teria respondido que havia tomado o imunizante. O presidente continuou a questionar: “Costumo brincar com ele, né? ‘Dormiu de máscara?’. Todo mundo sabe que raramente ele tira a máscara. Quer dizer, tá infectado.”
O mandatário reforçou que não iria falar tudo o que conversou com o ministro, mas afirmou que deu continuidade às perguntas em tom de brincadeira em relação ao uso de outros remédios para o tratamento da Covid. “Você vai seguir o protocolo do (ex-ministro Luiz Henrique) Mandetta, esperar sentir falta de ar para procurar um médico, ou vai partir para um medicamento outro qualquer agora? Não vou responder a vocês o que ele me disse”, disparou.
Um dos argumentos usados por Bolsonaro para continuar suas insinuações contra o uso da vacina foram os testes positivos para Covid-19 da ministra Tereza Cristina, do advogado-geral da União Bruno Bianco e de seu filho Eduardo Bolsonaro. Os três também integraram a comitiva brasileira para a 76ª Assembleia-Geral da ONU e positivaram ao chegar no país.
Mesmo com todas as insinuações contra a vacinação e a favor do tratamento precoce, o presidente afirmou não ser contrário à vacina. “Se tivesse contra, não teria assinado a medida provisória de dezembro do ano passado destinando R$ 20 bilhões para comprar a vacina. Mas nós respeitamos a liberdade. Por mais que me acusam de atos antidemocráticos, são apenas acusações, ninguém mais do que eu respeita o direito de todos. A vacina não pode ser obrigatória.”
De acordo com o presidente, a vacina “ainda é uma grande incógnita”. “Prato feito para imprensa dizer que eu sou negacionista. É liberdade!”, afirmou durante o discurso.
Corrupção no Governo
Bolsonaro também admitiu em sua fala que a corrupção não havia sido eliminada em seu governo, mas, segundo ele, "diminuiu muito”. A declaração, no entanto, vai contra o que o próprio presidente afirmou na 76ª Assembleia-Geral das Nações Unidas, na última terça-feira, 21. No discurso, Bolsonaro afirmou que o país estava há dois anos e oito meses "sem qualquer caso concreto de corrupção".
“Quando se fala em 1.000 dias sem corrupção, eliminou-se a corrupção? Obviamente que não. Pode acontecer problemas em alguns ministérios? Pode, mas não será da nossa vontade. Nós vamos buscar maneiras de, obviamente, apurar o caso e tomar as providências cabíveis com outros poderes, sobre aquele possível ato irregular. Mas diminuiu muito a corrupção do Brasil, muito!”, disse, sem citar diretamente a qual pasta estaria se referindo.
O governo de Bolsonaro tem recebido diversas denúncias de irregularidades, envolvendo, principalmente, as compras de vacinas contra a Covid-19, que estão sendo averiguadas pela CPI da Covid. O presidente também já foi alvo de mais de 130 pedidos de impeachment, entregues para apreciação da Câmara dos Deputados.
A cerimônia em que Bolsonaro discursou foi o lançamento do Crédito CAIXA, que faz parte do início dos eventos relacionados aos 1.000 dias da atual gestão do Governo Federal.