Simone Tebet x Wagner Rosário: o que aconteceu na CPI da Covid hoje, 21
Wagner Rosário bateu boca com senadores, chegando a ofender Simone Tebet (MDB-MS), e foi transformado em investigado por Renan Calheiros (MDB-AL). Veja vídeo e entenda a passagem do ministro da CGU pela CPI da Covid hoje, 21 de setembro (21/09)
20:59 | Set. 21, 2021
Desafiando os senadores da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia a provar omissão de sua parte na compra da vacina Covaxin, o ministro da Controladoria-Geral da República (CGU), Wagner Rosário, bateu boca com presentes. Ele chegou a chamar a senadora Simone Tebet (MDB-MS) de “descontrolada” durante a reunião desta terça-feira, 21 (veja vídeo abaixo). Em seguida, o relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), fez de Rosário um investigado pela comissão, e não mais testemunha.
CPI da Covid hoje, 21: Wagner Rosário foi testemunhar
Wagner Rosário compareceu à reunião desta terça para testemunhar quanto às acusações de prevaricação e omissão em relação ao governo federal no caso da negociação para a compra da vacina Covaxin entre o laboratório indiano Bharat Biotech e o Ministério da Saúde. As acusações foram feitas pelo presidente do colegiado, Omar Aziz (PSD-AM), na semana passada.
“Fui acusado de maneira irresponsável de prevaricação”, afirmou. “Observando as falas na CPI, verifiquei que não foi apresentado qual ato de ofício previsto em lei este ministro de Estado deixou de praticar”, destacou Rosário. “Nem mesmo a existência de algum interesse ou sentimento pessoal que justificasse essa omissão”, acrescentou o ministro.
Rosário afirmou que soube das suspeitas de irregularidades na compra da Covaxin apenas em junho de 2021, pela imprensa. Alegou, ainda, que não havia informações prévias sobre irregularidades na atuação de integrantes do governo na aquisição de vacinas. Omar Aziz questionou o fato de a CGU ter informações sobre mensagens investigadas desde setembro de 2020.
“Cê não passa um scanner na hora da busca e apreensão e saem os dados aparecendo, não. Tem que ter análise, tem que levar tempo”, justificou Rosário. Em seguida, o senador Otto Alencar (PSD-BA) reagiu à declaração do ministro. “Muito petulante, hein, presidente?”, disse, se dirigindo a Omar, que afirmou com o som do microfone desligado: “petulante pra caralho”. O áudio vazou na transmissão da TV Senado, mas a declaração não entrou nas notas taquigráficas da CPI.
CPI da Covid hoje, 21: críticas de Simone Tebet
Ao longo de sua passagem pela CPI hoje, Rosário continuou a defender a inexistência de omissão e a demandar provas para tal. Eventualmente, Simone Tebet o criticou por sua atitude em apoio ao governo federal, afirmando que a CGU “não foi criada para ser órgão de defesa de ninguém”. Ela disse que Rosário não poderia ser “advogado do governo”.
Simone então declarou que documentos falsos foram usados no contrato de aquisição da Covaxin, os quais não foram detectados pela CGU, segundo ela. Conforme Tebet, três notas fiscais foram elaboradas, mas somente a primeira era autêntica. Esta cobrava um pagamento antecipado de US$ 45 milhões, não previsto no contrato, direcionado a uma empresa em Singapura.
Wagner Rosário então respondeu: “Bem, senadora, com todo o respeito à senhora, eu recomendo que a senhora lesse tudo de novo porque a senhora falou uma série de inverdades aqui”. Tebet retrucou: “Não faça isso. O senhor pode dizer que eu falei inverdades, mas não me peça para fazer algo porque eu sou senadora da República”. Ela também declarou que o ministro estava “se comportando como um menino mimado”. Veja vídeo clicando aqui ou no player abaixo.
CPI da Covid hoje, 21: tumulto e suspensão
Após ouvir os comentários de Simone, o ministro do CGU disse: “A senhora me chamou de engavetador, me chamou do que quis. Me chama de menino mimado, eu não lhe agredi. A senhora está totalmente descontrolada, me atacando”. A fala de Rosário gerou tumulto na sessão, com senadores acusando-o de machismo e defendendo Tebet.
Aziz então suspendeu a sessão e, ao retornar, pontuou que Rosário enfrentou senadores e encerrou sua participação atacando uma senadora. Na sequência, o relator Renan Calheiros transformou Rosário em investigado, por sugestão de Aziz, e a reunião da CPI foi encerrada.
Depois da sessão, Tebet tornou a afirmar que Rosário “passou pano” sobre as irregularidades. Apesar disso, ela afirmou ter amenizado a situação com o ministro, de forma privada. “Eu digo aos próximos depoentes: ‘não venham armados. Venham desarmados para responder’. Esta Casa não aceita arrogância, petulância, desrespeito. Ele fez um pedido privado [de desculpa], acho que tinha que ser publicamente. Mas dou como página virada, assunto encerrado”, declarou.
Com informações de G1 e Agência Brasil