Ferimentos causados por caravelas aumentaram quase 10 vezes na Praia do Futuro
Em um único dia, foram registrados 20 casos na UPA da Praia do Futuro
11:59 | Set. 06, 2021
A temporada de férias e o início dos ventos fortes no Ceará têm sido atrativo para as praias de Fortaleza. O banho de mar, entretanto, pode trazer perigos também pela presença das caravelas. Elas se reproduzem mais nesta época do ano e são trazidas para a faixa de areia pelo ventos mais fortes. Entre julho e agosto, na Unidade de Pronto Atendimento (UPA 24h) Praia do Futuro, o número de atendimentos de ferimentos causados pelos seres aumentou quase 10 vezes comparado com o começo do ano.
Em um período de menor reprodução da espécie, a unidade atende, em média, cinco ocorrências por mês. De julho a agosto deste ano, o equipamento de saúde chegou a registrar 50 casos. Apenas no último domingo de agosto, foram 20 ocorrências atendidas no equipamento.
De acordo com a Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), o aquecimento global e a pesca predatória, que retira organismos predadores naturais das caravelas, também propiciam o aumento dos casos. A tartaruga-comum, o caracol-violeta e a lesma-do-mar azul são alguns dos animais que são imunes à toxina das caravelas e se tornaram predadores da espécie.
A Secretaria ressalta ainda que a Praia do Futuro, além da faixa extensa, tem um grande fluxo de pessoas, o que aumenta o maior risco de acidentes. Até outubro, mês de pico das ventanias, a UPA Praia do Futuro se prepara para receber mais demanda provocadas por estes animais. Para evitar o contato, é necessário ter atenção para não confundir o animal com uma sacola plástica e ter atenção redobrada com as crianças.
O nome científico das caravelas é Physalia Physalis, considerado um organismo pluricelular, um tipo uma colónia. Os seres fazem parte do mesmo grupo das aguas vivas, que também causam ferimentos.
Sintomas e tratamento
Os principais sintomas quando alguém tem contato direto com as caravelas são dor com sensação de queimação e vermelhidão no local da ferida. O que acontece é o envenenamento da pele causado pelas toxinas liberadas pelos tentáculos do animal, causando dor forte, inchaço e ardência. Em casos mais leves, o próprio banhista consegue amenizar a dor do ferimento, lavando o local com água do mar e vinagre, sem esfregar.
Segundo a Sesa, compressas com água do mar e com soro fisiológico gelado impedem que o veneno do animal siga entrando na pele, além de também aliviarem o desconforto. Não é recomendado usar sabonete ou álcool na área afetada.
Caso a vítima apresente sintomas como vômitos, náuseas, cãibras musculares ou dificuldade para respirar ou engolir, dor no peito ou na cabeça o indicado é procurar atendimento médico. Na unidade de saúde, é feita uma lavagem no local e aplicação de analgésicos. Após receber orientações para prevenir infecções, o paciente é liberado.
Mais sobre caravelas portuguesas
Segundo o Canal Nacional Geografic, o nome de caravela portuguesa vem do formato da parte que flutua: parecida com os chapéus usado pelos marinheiros medievais portugueses e até com as caravelas usadas na navegação.
O animal também é chamado de Garrafa Azul, pela coloração azulada que por vezes adquire. As cores da Caravela-portuguesa variam entre o rosa e o azul, sendo muito frequente ocorrerem cores arroxeadas. Estas variações são atribuídas ao ambiente em que se inserem, mas não se sabe concretamente
A espécie é conhecida pelas tendões que liberam toxinas. O veneno provoca dores muito fortes e o envenenamento da pele pode se assemelhar a queimaduras de até terceiro grau. Em em casos mais extremos, reações alérgicas graves acompanhadas de arritmias, náuseas e necrose do tecido.