Atendimentos de ambulância crescem 27,6% de 2018 para 2019 em Fortaleza
A razão, de acordo com o gerente do Samu, foi o aumento no número de ambulâncias para o atendimento
00:00 | Set. 17, 2019
O atendimento realizado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), em Fortaleza, foi ampliado em 27,6% entre janeiro e julho de 2019, em comparação ao mesmo período do ano passado. Segundo dados fornecidos pelo gerente do Samu, o médico emergencista Frederico Arnaud, a quantidade de casos no período em 2018 foi de 23.684 atendimentos. Este ano, o número chegou a 30.228 ocorrências. A maior parte dos casos (uma média de 1.800 mensais) foi para urgências relacionadas a traumas. Dessas, cerca de 700 ocorrências, por mês, estão relacionadas a acidentes de motos.
>> Como proceder em casos de acidentes
“A moto ainda é o veículo que mais provoca acidentes de trânsito em todo o País. E a maior causa é por imprudência”, afirma Arnaud. Segundo ele, o Samu teve um incremento na frota desde o início da gestão. Em 2018, eram 18 ambulâncias, entre Unidade de Terapia Intensiva (UTIs) e de serviço básico. Hoje, o número de veículos rodando passou a 24 ambulâncias, 14 motolâncias, 4 bicicletas. Existem, ainda, 10 carros reservas, que substituem os veículos em casos de pane no sistema.
Mais da metade do número de chamados para o Samu no Interior em 2019 foi para atendimentos de acidentes de trânsito. Este ano, 59% das pessoas que ligaram para o 192, tanto em Fortaleza como em outra cidades do Ceará, fizeram o pedido para socorrer vítimas do tráfego. No Interior, a quantidade de chamados foi de 189 mil atendimentos.
A Portaria Nº 1.864, de setembro de 2003 do Ministério da Saúde, preconiza que as ambulâncias serão adquiridas na proporção de um veículo de suporte básico à vida para cada grupo de 100 mil a 150 mil habitantes. Em todo o Estado, existem 132 veículos. Na Capital, a quantidade é de 34 ambulâncias, 14 motolâncias, além cinco bicicletas do Projeto Bike Vida. Desses, 10 carros e uma bicicleta são usados como substitutos, ou seja, quando algum veículo da frota apresenta defeitos, eles são utilizados.
“O Samu conseguiu renovar toda a frota de 2017 para cá. Temos uma licitação para ambulâncias de atendimento básico e de UTIs, de mais 147 carros”, informa Romel Araújo, coordenador das Redes de Atenção Pré-Hospitalar e Hospitalar de Fortaleza. Uma licitação está aberta para a compra de novas 29 ambulâncias, entre básicas e de UTIs. A ideia com a nova concorrência pública, de acordo com Araújo, é de montar bases nos sete terminais de ônibus, no Cuca da Barra do Ceará e no Centro. O prazo para que o chamamento público seja encerrado é junho de 2020. “Nesses dois anos e oito meses, conseguimos evoluir e ampliar significativamente todo o serviço na Capital”, aponta o gestor.
O coronel João Vasconcelos, chefe do Samu do Ceará, avisa que o serviço tem base em 60 municípios e cobre 136 cidades do Estado. Dois helicópteros têm base em Fortaleza e em Juazeiro do Norte. “Temos um plano para universalizar o atendimento e expandir o Samu. No Estado, a média de atendimentos por dia chega a 700 socorros realizados e, por mês, 27 mil chamados atendidos. O tempo médio de atendimento no Interior, segundo o coronel, é de 30 minutos.
Na base de atendimento, segundo o coronel, existe uma equipe médica de plantão. Por isso, conforme aponta, é pedido a quem telefona para estar ao lado de vítima do acidente, para que seja feita a orientação e a verificação correta. Campanha nas escolas realizadas em 2017 e 2018 resultou numa baixa no número de trotes de 16,7% até o fim do ano passado. “Os trotes ainda são o nosso maior gargalo. É importante haver conscientização para que se evite esse tipo de ação. Até porque uma vida pode deixar de ser salva com esses trotes”, informa Vasconcelos.
Dona de casa, Roberta de Sousa, 38, passou um aperreio, em novembro do ano passado e, segundo conta, foi atendida em um tempo rápido. Ela mora no Centro de Fortaleza e o pai, de 67 anos, estava com dificuldades respiratórias. “O atendimento foi tranquilo. A ambulância até que chegou rápido, em cerca de 10 minutos”, avisa. Mas nem todos têm essa sorte. De acordo com Arnaud, a demora muitas vezes está relacionada aos trotes.
O tempo resposta para o atendimento depende de uma série de fatores. Arnaud explica que é necessário que o informante, ou seja, quem liga para pedir o serviço de atendimento, fique próximo à vítima. Isso porque, segundo ele, médicos intensivistas darão orientações de como proceder com os pacientes.