50% dos aposentados precisam recorrer ao crédito para quitarem despesas

Os dados são da pesquisa realizada pela Serasa, com o Instituto Opinion Box, e apontam que a aposentadoria não vem acompanhada da tranquilidade financeira

11:01 | Jan. 23, 2026

Por: Maria Clara Moreira
Pesquisa aponta cenário de instabilidade financeira na aposentadoria (foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

No Dia do Aposentado, celebrado neste dia 24, sábado, o cenário apresentado é que 50% deste público no Brasil já relataram precisar recorrer ao crédito para pagar despesas. Enquanto 35% utilizaram essa forma de pagamento especificamente para cobrir gastos considerados essenciais. 

Os dados fazem parte da pesquisa realizada pela Serasa, em parceria com o Instituto Opinion Box. A especialista da empresa em educação financeira, Aline Vieira, explica que os resultados mostram que “a aposentadoria nem sempre vem acompanhada da tranquilidade esperada no âmbito das finanças”.

“Para muitos brasileiros, esse é um momento de adaptação, em que a renda diminui ou muda, mas as despesas seguem elevadas”, avalia.

Conforme o exposto, 44% do público entrevistado afirmou que o risco de endividamento aumentou após a aposentadoria, relatando maior instabilidade financeira (46%), insuficiência do ordenado recebido para manter o estilo de vida anterior (46%), receio de precisar de para conseguir se manter (44%) e dificuldade para manter despesas básicas em dia (33%).

 

Outro ponto apresentado no levantamento, é que 60% dos aposentados continuam trabalhando, sendo a maioria, 63%, pela necessidade de complementar a renda e, 57% para se manterem com uma vida mais dinâmica.

Os demais motivos vão desde o desejo de se manterem produtivos (32%) e a busca de novos desafios profissionais (11%), até a vontade de ajudar financeiramente familiares (23%).

Mesmo com dificuldades, momento representa a realização de planos pessoais

Mesmo com as dificuldades, a aposentadoria para muitos continua representando um período de reorganizar prioridades e realizar planos pessoais: 40% pretendem viajar e quitar dívidas e 39% querem aproveitar melhor o tempo livre.

Para realizarem essas metas, 65% dos aposentados afirmaram que se planejam financeiramente para essa etapa da vida, tentando reduzir a dependência exclusiva dos benefícios previdenciários. Atitude, que segundo a especialista do Serasa, é essencial para trazer mais previsibilidade para essa fase da vida.

"Mesmo após a aposentadoria, é importante acompanhar os gastos, revisar prioridades e manter um controle financeiro compatível com a nova realidade de renda”, orienta.

Brasileiros driblam limite do cartão e retomam o crediário para financiar compras

Agora considerando os brasileiros no geral, sem ser no recorte dos aposentados, outra pesquisa evidencia uma perspectiva 25% maior para 2026 de busca por financiamento fora do sistema bancário tradicional.

A estimativas foram apresentadas pela Top One Financeira, empresa de concessão de empréstimos por meio de crediário (CDC) e empréstimo pessoal (EP), que destacou que esse cenário ocorre devido aos juros elevados, limites de cartão mais comprometidos e maior rigor dos bancos na concessão de crédito.

Os dados, para o CEO da empresa, Vanderley Cardoso de Moraes, mostram uma retomada do crediário como opção para compras de maior valor e sinalizam uma mudança no comportamento do consumidor.

“Com juros elevados e renda pressionada, o consumidor avalia com mais cuidado o impacto das parcelas no médio e no longo prazo. Enquanto isso, modalidades como o crediário e o empréstimo pessoal no ponto de venda ganham espaço por oferecer previsibilidade, prazos claros e maior controle financeiro, especialmente em compras de bens duráveis”, explica.

Ele destaca que o crediário oferece parcelas fixas, com contrato definido e com pagamento individualizado. Entretanto, reforça a importância da educação financeira, mesmo “em um ambiente de crédito mais seletivo”.

“Não basta ter crédito disponível; é fundamental que o consumidor entenda o impacto das parcelas no orçamento e faça escolhas compatíveis com sua realidade financeira”, pontua.

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