Cerca de 17,4 milhões saem da pobreza em dois anos, aponta estudo
Segundo a FGV, o ano de 2024 teve também o maior nível histórico de ascensão social para as classes A, B e C
16:32 | Jan. 12, 2026
Um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) apontou que entre 2022 e 2024, cerca de 17,4 milhões de pessoas saíram da pobreza e passaram a integrar as classes A, B e C.
O levantamento foi feito com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, que vão de 1976 a 2024. Esse montante equivale à população inteira do Equador.
Ainda conforme a FGV, o ritmo da mudança foi 74% mais acelerado em relação ao verificado entre 2003 e 2014.
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Ao todo, a parcela da população nas classes A, B e C cresceu 8,44 pontos percentuais, sendo que de 13 a 14 pontos percentuais são representados por quem recebe o Bolsa Família ou o Benefício de Prestação Continuada (BPC).
De acordo com o diretor da FGV Social, Marcelo Neri, a renda gerada pelo trabalho impulsionou a mudança de classes sociais. “O ganho de renda do trabalho foi o principal motor de ascensão social da chamada classe média. A regra de proteção do Bolsa Família impulsiona a geração de carteiras de trabalho, que talvez seja o principal símbolo da nova classe média vinda da base da distribuição de renda”, ponderou.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), as classes A, B e C são usadas em estudos socioeconômicos para organizar a população de acordo com a renda familiar, sendo a classe C, ou classe média, formada por famílias que conseguem atender às necessidades básicas e que têm algum poder de consumo. Por sua vez, as classes A e B reúnem famílias com faixa de renda mais altas e maior estabilidade financeira.
No ano de 2024, o Brasil registrou o maior nível histórico de participação das classes A, B e C, desde o início da série histórica em 1976. Ao todo, as três classes somaram 78,18% da população, sendo que a classe C concentrou 60,97% da população e as classes A e B somaram 17,21%. Por outro lado, as classes D e E registraram suas mínimas históricas: 15,05% e 6,77%, respectivamente.
Para o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, “os mais pobres vem ganhando oportunidades com o crescimento econômico acima de 3% ao ano, oportunidades de emprego e pequenos e médios negócios, ampliando a renda, aumentando a capacidade de consumo, o que impulsiona o próprio crescimento contínuo da economia”.
“O dinheiro nas mãos de milhões dentre os mais pobres, que começam com um Bolsa Família e depois as portas se abrem para um emprego ou um negócio assistido”, conclui Wellington Dias.