Pesquisa mostra que 55% dos brasileiros das classes ABC não têm planejamento financeiro
Estudo aponta ainda que seis em cada dez pessoas se dizem preocupadas com o futuro das finanças, mas seguem apostando na poupança
20:35 | Out. 31, 2025
Uma pesquisa intitulada “A relação dos brasileiros com o dinheiro”, apontou que 55% dos brasileiros das classes A, B e C não têm nenhum tipo de planejamento financeiro.
O estudo realizado pela Nexus mostrou ainda que seis em cada dez brasileiros se dizem preocupados com o futuro de suas respectivas finanças, mas continuam investindo na poupança pela familiaridade e facilidade de acesso. Apesar da predileção pela poupança, o investimento tem ficado com rendimento abaixo da inflação e de outros produtos de renda fixa.
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De acordo com a educadora financeira Adriana Ricci, fundadora da SHS Investimentos, manter dinheiro na caderneta significa perda real de poder de compra e evidencia falta de planejamento financeiro. Segundo dados do Banco Central, a poupança rendeu 0,67% ao mês em setembro, com IPCA acumulando alta de 5,17% em 12 meses e a taxa Selic a 15% ao ano.
Segundo Adriana, a preferência pela poupança tem relação com as raízes da cultura de investimento no Brasil. “Há uma memória coletiva de que a poupança é sinônimo de segurança, mas o contexto mudou. Hoje, quem mantém recursos lá está, na verdade, perdendo poder de compra. É um investimento com liquidez, mas sem rentabilidade real”, pontuou.
Entre as alternativas igualmente seguras à poupança, segundo a especialista, estão o Tesouro Selic, que acompanha a taxa básica de juros e oferece liquidez diária; os CDBs de liquidez diária, com cobertura de até R$ 250 mil por instituição; as contas digitais com rendimento automático, além dos fundos simples de renda fixa, que permitem diversificação mesmo com valores menores.
A especialista explica que o perfil conservador ainda domina o comportamento financeiro do investidor brasileiro. “O investidor médio se sente mais seguro em ver o dinheiro crescer lentamente, mas em um ambiente conhecido. A falta de informação e a aversão ao risco fazem com que muitas pessoas ignorem opções igualmente seguras e mais rentáveis, como Tesouro Selic e CDBs protegidos pelo FGC, que oferecem liquidez e segurança”, afirma.
“Mesmo com alternativas de baixo risco e maior retorno disponível, muitas pessoas priorizam conveniência em detrimento de rendimento. No longo prazo, essa escolha corrói o patrimônio e limita o crescimento financeiro do investidor”, conclui a especialista.