Setor de restaurantes no CE divulga salário recorde e mão de obra escassa

Pesquisa da Abrasel aponta que 64% dos empresários seguem com dificuldade em preencher vagas, desinteresse é um dos motivos

13:49 | Abr. 29, 2025

Por: Filipe Vasconcelos
Presidente da Abrasel no Ceará fala da importância da desoneração para atrair salários melhores (foto: Rogério Lima/ Divulgação)

O salário no setor de alimentação fora do lar atingiu sua maior média salarial da história, chegando a R$ 2.222. É o que apontam os dados da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios (Pnad) levantados pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel).

Apesar do crescimento, quem empreende no segmento relata que tem enfrentado obstáculos para preencher as vagas disponíveis.

Isso porque levantamento da entidade do setor de alimentação fora do lar, realizado em março, indicou que 90% dos empresários consideram “difícil” ou “muito difícil” contratar novos funcionários.

Ainda segundo o estudo, os principais entraves na hora de encontrar mão de obra são a dificuldade de encontrar profissionais bem qualificados (64%) e a falta de interessados nas vagas (61%).

Outros motivos também contribuem para o desafio de contratação:

  • Horários pouco atrativos para os cargos oferecidos (33%)
  • Alta demanda pelos profissionais (23%)
  • Migração da mão de obra para outras áreas (21%)

Com base nisso, o presidente da Abrasel no Ceará, Taiene Righetto, falou que nota uma mudança na forma de trabalho das pessoas, principalmente das mais jovens.

Ele aponta que, por conta das oportunidades recebidas em trabalhos digitais, ou em serviços terceirizados como Uber e iFood, o mercado de carteira assinada vem perdendo força por não ser flexível.

“A gente defende que precisamos começar a rever as formas de trabalho com essas pessoas. O nosso setor tem uma característica própria, que de certa forma é até engessado, naquele modelo das 8h às 20h. Então, para mudar isso, precisamos ser de certa forma mais maleáveis, oferecendo horários em que elas possam trabalhar”.

Taiene ainda acrescenta que, 33% de todo o alimento do Brasil é consumido dentro de bar e restaurante, e que outro ponto importante seria a desoneração da folha de pagamento.

Ele se refere à isenção fiscal para certos setores da economia, da contribuição patronal para a previdência social. Segundo o empreendedor, esse abatimento estimularia os empresários a pagar melhor e a atrair mais gente.

“Esse salário, por melhor que seja, você vê que não está sendo suficiente para atrair também mão de obra”, explicou o presidente da Abrasel no Ceará.

Outra característica muito forte do setor, segundo ele, que acaba também levando muitos profissionais sair do mercado, é que chefes de cozinha, auxiliares e garçons se tornam donos do próprio empreendimento.

“Perdemos muita gente nesse pós-pandemia. Muitas pessoas ficaram desempregadas e resolveram empreender nesse setor. Aumentou o número de estabelecimentos, e também diminuiu o número de profissionais que realizam esses serviços”.

 

Quando questionado se Inteligência Artificial pode ser uma estratégia para compensar o desinteresse das pessoas, Righetto pontuou que não tem como escapar.

“E não só a inteligência artificial, como várias tecnologias. Então, esses investimentos são cruciais. Eu diria que o empresário que não for por esse caminho não vai sobreviver. Mas, eu não acredito que isso tudo vá suprir a mão de obra total”, diz.

Acrescenta ainda que o ramo de bares e restaurantes não se trata apenas de transformar o alimento, mas também de proporcionar experiências. “O atendimento, o carinho, o carisma, é vital, e isso é insubstituível.”

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