Quadra chuvosa: entenda a ciência por trás do barulho dos trovões

Um dos sinais de fortes chuvas e tempestades, os trovões causam sustos e incômodos pelo seu volume sonoro. Entenda o motivo pelo qual trovões são barulhentos

11:55 | Fev. 05, 2026

Por: Arthur Albano
Entenda a ciência por trás do som dos trovões. Saiba como o raio aquece o ar e causa o estrondo, e a diferença entre trovão, relâmpago e raio (foto: DANIEL GALBER/ESPECIAL PARA O POVO)

Durante os primeiros meses do ano, o Ceará se encontra na quadra chuvosa, de modo que trovões passam a ser elementos recorrentes. Embora frequentemente confundido e acompanhado de raios e relâmpagos, o trovão é um fenômeno distinto e ocorre em uma sequência física precisa.

Então, por que trovões fazem barulho? O estrondo pode até assustar, mas não provoca nenhum dano. Alguns dizem que trovões são “nuvens se chocando”, mas a explicação é outra.

A seguir, entenda o motivo pelo qual trovões fazem barulho:

A origem do barulho: por que o trovão acontece?

O trovão é um estrondo sônico. Ele ocorre porque o raio é uma descarga elétrica de altíssima intensidade que aquece o ar ao redor de forma quase instantânea, elevando as temperaturas até aproximadamente 27 mil ºC, cerca de cinco vezes a temperatura da superfície do sol.

Esse aquecimento faz com que o ar se expanda violentamente, criando uma zona de alta pressão. Com essa expansão, há uma onda de choque que se propaga em todas as direções e se transforma em uma onda sonora, originando o trovão.

O som pode chegar a 120 decibéis, uma intensidade comparável à das primeiras fileiras de um show de rock.

Durante uma chuva intensa, o trovão sempre vem depois do relâmpago, a parte luminosa e visível ao olho humano.

Isso acontece porque a velocidade da luz é maior que a do som, de modo que primeiro se escuta um estalo curto seguido do som mais grave que é o trovão expandindo-se na atmosfera ao redor do relâmpago. Normalmente, duram em média de 5 a 20 segundos, mas são inofensivos.

Qual é a diferença entre trovão, relâmpago e raio?

O trovão e o relâmpago são fenômenos complementares, mas de naturezas diferentes. Enquanto o trovão é a parte sonora, o relâmpago é a parte luminosa de quando uma descarga elétrica flui entre nuvens, seja em direção ao ar ou em direção ao solo.

Isso acontece porque, em uma nuvem de tempestade, gotículas de água são levadas para cima por fortes correntes internas de ar e congelam. Alguns fragmentos se tornam granizo, outros permanecem pequenos.

À medida que o granizo cai, ele colide com partículas menores, transferindo elétrons e adquirindo carga negativa, enquanto as partículas que perdem elétrons ficam positivamente carregadas.

Esse processo cria uma separação de cargas elétricas na nuvem, carregando a base negativamente e o topo positivamente.

A atração de cargas opostas pode se tornar tão forte que os elétrons se movem em direção às cargas positivas, levando à descarga visível que se torna o relâmpago.

Já o termo “raio” é usado especialmente para quando o relâmpago atinge o solo, liberando a carga elétrica acumulada das nuvens. Esse é o fenômeno mais perigoso entre os três porque pode atingir qualquer coisa que esteja em contato com o solo na hora da descarga elétrica.