CE receberá mais de 12 mil doses da vacina contra bronquiolite para bebês prematuros

A iniciativa prioriza recém-nascidos prematuros e crianças de até dois anos com comorbidades e visa reduzir internações e sobrecarga nos hospitais

19:37 | Fev. 10, 2026

Por: Alice Barbosa
Imagem de apoio ilustrativo. Vacinação contra bronquiolite para bebês prematuros ou com comorbidades deve iniciar hoje, 9 (foto: JOHN MACDOUGALL / AFP)

Mais de 12 mil doses da vacina contra bronquiolite serão recebidas ao longo deste ano para imunização de bebês prematuros e com comorbidades do Ceará. A vacinação entrou em vigor na segunda-feira, 9. 

Cada dose da vacina, enviada pelo Ministério da Saúde, custa cerca de R$ 1.800, sendo destinada às maternidades e salas de vacinação da Atenção Primária em todas as macrorregiões do Estado, por meio da rede de Imunobiológicos Especiais.

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Segundo Ana Karine Borges, coordenadora de imunização da Secretaria Estadual de Saúde do Ceará, o investimento do governo federal brasileiro na aquisição do anticorpo monoclonal (Nirsevimab) é respaldado por uma decisão da Organização Mundial de Saúde (OMS). 

Essa recomendação da OMS ocorreu devido ao aumento exponencial de casos de Vírus Sincicial Respiratório (VSR) em todo o mundo, no período de 2023 a 2025, que tem provocado quadros graves de doenças respiratórias, especialmente em crianças. 

A nova estratégia de saúde pública, que oferece o anticorpo nirsevimabe, busca garantir proteção imediata e prolongada por até seis meses e contribuir para a prevenção das infecções respiratórias associadas ao VSR. 

Ana Karine Borges explica que o VSR é causador de 75% dos casos doenças graves como a bronquiolite e 40% das notificações de pneumonias em crianças.

"No estado do Ceará, cerca de 14% das crianças nascidas vivas são prematuras (cerca de 12 mil), o que reforça a necessidade de ações específicas e efetivas para esse público", afirma Ana Karine Borges. 

O impacto da iniciativa deve reduzir o número de internações hospitalares e aliviar a sobrecarga no sistema de saúde cearense já nos próximos seis meses, segundo Ana Karine.

"Estima-se que nós tivemos, no Brasil, mais de 7 mil crianças menores de 6 meses de idade hospitalizadas em UTI. E desses casos, 179 foram a óbito. Ou seja, tem um número grande de óbitos causados em crianças, que agravam e vão para leito de UTI", comunica a coordenadora.

No cenário da mortalidade infantil, o Ceará registrou um total de 708 óbitos de crianças menores de 1 ano, causados por doenças do sistema respiratório, desde 2014 até às 00h de hoje, 10. Em 2025, o Estado registrou 62 mortes de bebês por doenças desse tipo.

Os dados são do painel Integra SUS, da Secretaria Estadual da Saúde do Ceará (Sesa). O levantamento não informa especificamente sobre os casos de bronquiolite.

A quantidade de notificações dessa doença foi solicitada pelo O POVO a Sesa. A matéria será atualizada quando as questões forem respondidas.

Assim, a vacina substitui o palivizumabe, anteriormente destinado apenas a prematuros extremos, que são os bebês que nascem antes de 28 semanas de gestação.

Ou seja, a inovação é a transição para o Nirsevimabe, um anticorpo monoclonal de dose única que substitui tratamentos anteriores e oferece uma imunização mais eficiente e duradoura para bebês prematuros ou com comorbidades.

Onde a vacina está disponível? 

A vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR) será disponibilizada em diversos locais no Ceará, com estratégias que variam conforme o perfil da criança.

As unidades básicas de saúde não receberão esse imunizante, uma vez que a vacina que oferece o anticorpo nirsevimabe, não é imunização de rotina.

O imunizante é restrito, aplicado em dose única e estará disponível apenas nas unidades do Centro de Referência de Imunobiológicos Especiais (Crie) e maternidades de grande porte (com alta demanda de nascidos vivos prematuros).

Bebês prematuros devem receber o imunizante, preferencialmente, logo na unidade de internação neonatal, solicitada por prescrição médica. 

Algumas maternidades funcionam como centros intermediários e possuem estoque próprio, como a Maternidade Escola e o Hospital Universitário do Ceará, em Fortaleza.

Crianças menores de 2 anos com comorbidades que já receberam alta hospitalar serão atendidas nas salas de vacina de seus territórios. O Estado conta com mais de 2.500 salas de vacina preparadas para essa finalidade, de acordo com a coordenadora de imunização estadual. 

As doses estão disponíveis em Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (Crie) localizados em Fortaleza, Sobral e Juazeiro. Essas unidades possuem estoque físico e podem realizar o atendimento direto.

Para garantir a celeridade no acesso, estoques foram mantidos em todas as macrorregiões do estado, incluindo as regiões de Fortaleza, Litoral Leste/Vale do Jaguaribe, Sertão Central, Litoral Norte e Cariri.

Caso uma maternidade ou sala de vacina não possua o estoque no momento, o médico deve realizar a prescrição e o local solicita o imunobiológico à Secretaria Municipal de Saúde, que providencia o envio para o local onde a criança nasceu. 

Qual a importância da vacina contra a bronquiolite em gestantes e bebês prematuros?

A vacina contra o VSR para gestantes a partir da 28ª semana de gravidez é oferecida desde dezembro de 2025 pelo Sistema Único de Saúde (SUS) do Ceará, com o intuito de proteger os bebês desde o nascimento.

Diferente da vacina materna, que gera uma resposta passiva via placenta, o Nirsevimab é um anticorpo monoclonal pronto que confere proteção imediata logo após a administração. 

Nesse sentido, Ana Karine ressalta que os bebês prematuros devem receber a imunização, mesmo que a mãe tenha sido vacinada durante a gestação.

Ela esclarece que esses bebês possuem um sistema imunológico que ainda não está totalmente desenvolvido e apresentam uma maior suscetibilidade ao VSR em comparação a bebês nascidos "no tempo certo".

"É uma proteção a mais para esses bebês que que nascem prematuros, que não tem o seu sistema imunológico todo desenvolvido, e para uma criança que tem alguma comorbidade, que tem uma maior suscetibilidade", assegura Ana Karine. 

 

Conforme Ana Karine, a rede de proteção para os bebês por meio da vacinação materna funciona como uma imunização passiva, garantindo que a criança já nasça com anticorpos necessários para enfrentar vírus sazonais e outras doenças graves. 

Quando a mãe recebe a vacina, os anticorpos são transferidos para o bebê ainda no útero, por meio da placenta. Isso assegura que o recém-nascido tenha proteção garantida até os 6 meses de vida, período em que ele é mais vulnerável a complicações respiratórias. 

A vacinação da gestante é fundamental para proteger o binômio mãe-filho contra o VSR, uma vez que o anticorpo nirsevimabe amplia a proteção contra o VSR, principal causa da bronquiolite.

Os bebês considerados prematuros são aqueles nascidos com menos de 37 semanas de gestação. Entre as comorbidades que atingem bebês de até dois anos de idade estão:

  • cardiopatias congênitas;
  • broncodisplasia;
  • imunocomprometimento;
  • síndrome de Down;
  • fibrose cística;
  • doenças neuromusculares e
  • anomalias congênitas das vias aéreas.