Ataque a escola em SP: o que se sabe sobre tiroteio em Sapopemba

Ocorrência foi atendida na manhã desta segunda-feira, 23. Ataque deixou uma estudante morta e outras três feridas. Suspeito foi detido junto da arma

11:21 | Out. 23, 2023

Por: Marcela Tosi
Ataque a tiros foi registrado na Escola Estadual Sapopemba, localizada na zona leste de São Paulo (foto: Reprodução/Google Maps)

Atualizada às 12h15min de 27/10/2023

A Escola Estadual Sapobemba, na zona leste de São Paulo, foi alvo de um ataque a tiros na manhã da segunda-feira, 23. Uma aluna morreu e duas ficaram feridas.

A ocorrência foi registrada por volta das 7h30min. Um helicóptero da Polícia Militar (PM) e 20 viaturas da corporação foram enviados ao local.

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Conforme a Secretaria da Segurança Pública, um adolescente de 15 anos, também aluno, entrou armado no colégio e efetuou os disparos. Ele foi apreendido junto com a arma.

Veja o que se sabe sobre o caso.

Quem são as vítimas de ataque a escola na zona leste de São Paulo?

Todas as vítimas baleadas são mulheres. Uma delas, Giovanna Bezerra da Silva, de 15 anos, foi atingida na cabeça e não resistiu aos ferimentos. As outras duas têm quadro estável e não correm risco de morte.

Elas foram encaminhadas ao pronto-socorro do Hospital Geral de Sapopemba. Uma das vítimas que sobreviveu foi atingida no tórax e a outra, na clavícula. As informações são da Polícia Militar de São Paulo, apuradas pelo Uol.

Ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) prestaram auxílio na rede de ensino. De acordo com a PM, um dos feridos atendidos não foi atingido pelos disparos, mas se feriu ao tentar fugir do ataque.

Suspeito foi detido pela polícia

O aluno, de 16 anos, usou um revólver calibre 38 do pai, segundo a polícia. Estudante do 1º ano do Ensino Médio, ele estava com o uniforme da escola quando foi apreendido pelos policiais militares que atenderam a ocorrência.

Em 24 de abril deste ano, o suspeito registrou Boletim de Ocorrência alegando ter sofrido agressões e ameaças de outros alunos.

O ataque à Escola Estadual Sapopemba está sendo investigado pelo 69º Distrito Policial.

A polícia apura a informação de que o adolescente teria comentado que cometeria o ataque em um grupo fechado de uma rede social de que participa. Também é investigado se ele foi incentivado a fazer os atos.

Pai de adolescente é indiciado

Na quinta-feira, 26, a Polícia Civil indiciou o pai do jovem investigado como autor do ataque à escola em Sapopemba.

O homem, que não teve a identidade revelada, foi indiciado pelos artigos 12 e 13 do Estatuto do Desarmamento. Os artigos correspondem aos crimes de posse irregular de arma de uso permitido e omissão de cautela, quando o responsável deixa de prestar os cuidados necessários para que o menor de idade não tenha acesso à arma de fogo.

Ambos os crimes são sujeitos a multa e detenção.

O que diz o pai do adolescente

O pai do aluno diz ter acordado com uma ligação logo após o crime. “Acordei com a ligação e com a pergunta se eu ainda tinha a arma em casa. Eu falei que sim. Aí, ouvi: 'Então vê aí, porque acho que o seu filho pegou a sua arma e fez uma besteira na escola”, disse em entrevista ao Uol. Foi só então que ele deu falta da arma.

O revólver calibre 38 foi adquirido em 1994 para proteção, segundo ele, já que trabalhava em uma função de risco, com corte e religação de água. Como a arma não foi recadastrada com o Estatuto do Desarmamento de 2003, o homem foi indiciado por posse ilegal.

“Decidi me apresentar [à polícia] logo após o atentado. Que exemplo eu daria para o meu filho se fugisse e ficasse foragido?”

Ele argumenta ter pensado em se desfazer da arma, mas não sabia qual seria o procedimento adequado. Também afirma nunca ter contado ao filho que ele tinha um revólver.

Polícia investiga vazamento de vídeos do ataque 

A Delegacia de Crimes Cibernéticos de São Paulo abriu investigação para apurar o vazamento das imagens de câmeras de segurança. A unidade também apura o compartilhamento desses vídeos na internet.

Na tarde de segunda-feira, as imagens das câmeras de segurança da escola já circulavam em grupos de WhatsApp e pela rede social X (antigo Twitter).

As imagens mostravam os vídeos sendo reproduzidos em um computador no momento em que o autor do ataque efetuava os disparos. 

O que dizem as autoridades

Por meio de nota, o governo de São Paulo afirma que “a prioridade nesse momento é o atendimento às vítimas e o apoio psicológico aos alunos, profissionais de educação e familiares”. O Governo estadual decretou três dias de luto pela adolescente que foi morta no ataque.

“Estamos consternados com mais um terrível ataque nas nossas escolas”, disse o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em sua conta no X (antigo Twitter). “Nesse momento, a prioridade é apoiar os estudantes, professores e familiares. Toda minha solidariedade às famílias e a todos os afetados neste triste episódio”, escreveu.

O governador ainda disse que “a escola tem que ser um local seguro, a escola tem que ser um local de convivência”. “A gente tem que ter a habilidade de desenvolver nos alunos capacidade para enfrentar situações do dia a dia. A gente tem que combater o bullying, a homofobia. E depois de uma situação dessa você chega à conclusão de que não estamos sendo capazes, ainda não chegamos ao que é ideal”, prosseguiu. “O sentimento que fica, além de tristeza, é de frustração.”

Segundo o ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, o governo federal foi acionado para ajudar nas investigações. “Laboratório de Crimes Cibernéticos do Ministério da Justiça foi acionado para auxiliar a Polícia de São Paulo a aprofundar as investigações”, declarou no X.

Lula: não se pode “normalizar armas acessíveis para jovens”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que não se pode “normalizar armas acessíveis para jovens na nossa sociedade e tragédias como essa”.

Lula disse ter recebido a notícia do ataque com “muita tristeza” e dedicou sentimentos aos parentes da aluna morta e dos estudantes feridos. “Criança não é para ter acesso a arma. É para ter acesso aos livros”, disse o presidente ao participar da entrega de unidades habitacionais do Minha Casa, Minha Vida.