Médicos assassinados: qual relação entre facção e milícia no RJ?

Descartada a possibilidade de um crime político, autoridades revelam que miliciano era o verdadeiro alvo; entenda as implicações do crime organizado

18:19 | Out. 06, 2023

Por: Iully Fernandes
O alvo do assassinato seria o miliciano Taillan de Alcântara Pereira Barbosa; entenda como o crime organizado é responsável pela morte de três médicos (foto: Reprodução)

Na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, o assassinato de três médicos na madrugada da última quinta-feira, 5, tomou caminhos acentuados entre o crime organizado e a milícia carioca.

No quiosque onde o crime ocorreu, a mesma mesa onde os médicos foram executados segue disponível, ainda com as marcas da violência que vitimou três pessoas. Às 6h da manhã, o ponto comercial alimentício, que fica aberto 24 horas, já funcionava normalmente apesar das cenas bárbaras de horas atrás.

Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que um veículo para na via que passa em frente à mesa da vítima. Homens armados descem e atiram várias vezes contra os médicos, que não tiveram chance de defesa. Toda a ação de execução durou menos de um minuto.

Mais abaixo, confira o que se sabe sobre a investigação policial até agora e qual a relação entre o assassinato e o crime organizado do Rio de Janeiro.

Médicos assassinados: principal linha de investigação

Conforme informações das autoridades, a principal linha de investigação era de que os quatro médicos foram baleados por engano – três morreram e um foi hospitalizado. A TV Globo apurou que a hipótese é a de que traficantes tinham como alvo um miliciano da região de Jacarepaguá que se parece com uma das vítimas, o médico Perseu Ribeiro Almeida.

Seguindo tal linha de investigação, o alvo seria Taillon de Alcântara Pereira Barbosa, que é filho de Dalmir Pereira Barbosa, apontado como um dos principais chefes de uma milícia que atua na Zona Oeste. Taillon chegou a ser preso em uma operação, no fim de 2020.

Apesar de um dos assassinados ser irmão da deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP), já foi descartada a alternativa de ser um crime político.

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Médicos assassinados: o que se sabe sobre o envolvimento da facção criminosa e da milícia

De acordo com o portal g1, os principais suspeitos de participar da execução de médicos na praia da Barra da Tijuca vinham sendo observados há seis meses. Os corpos de dois deles — Philip Motta Pereira, o Lesk, e Ryan Nunes de Almeida, o Ryan — foram localizados em dois carros, também na noite de quinta-feira, 5.

A Delegacia de Homicídios (DH) informou que tentavam localizar um Fiat Pulse branco, usado no ataque contra os médicos. Segundo a apuração da DH, um modelo da mesma cor havia sido utilizado em outros assassinatos na região.

Alguns desses criminosos, chefiados por Lesk, integram uma milícia que atua na região da Cidade de Deus e Gardênia Azul, Zona Oeste do Rio. Os milicianos atuam há três décadas na região e hoje disputam território com traficantes.

Em dezembro do ano passado, em uma aliança com traficantes do Complexo da Penha, na Zona Norte, eles deram um golpe e se aliaram ao Comando Vermelho na favela.

Entenda o uso do termo “milícia”

Dentro do contexto atual, o termo milícia passou a ser utilizado para denominar os grupos criminosos compostos por agentes e ex-agentes da lei, além de civis, que exercem um tipo de controle extorsivo sobre comunidades periféricas nas grandes cidades brasileiras.

A função e o objetivo das milícias são, em um contexto macro, obter vantagens políticas, econômicas e/ou sociais. Na prática, é esse tipo de objetivo que separa as milícias de outros grupos criminosos, como os grupos de extermínio.

Médicos assassinados: suspeitos foram executados pelo “tribunal do tráfico”? 

Ainda segundo o g1, o grupo, chamado entre os criminosos da facção de Equipe Sombra, também era alvo de uma força-tarefa montada pela Polícia Civil para combater a guerra que vem sendo travada com milicianos e aterroriza áreas da Zona Oeste há quase um ano.

Entre os alvos dessa força-tarefa estava o braço direito de Lesk, conhecido como BMW, apelido de Juan Breno Malta Ramos Rodrigues.

É ele que, numa interceptação telefônica feita pela Polícia Civil, comenta sobre a localização do suposto alvo que eles queriam executar — o miliciano Taillon de Alcântara Pereira Barbosa.

A encomenda seria uma retaliação a outro assassinato nessa guerra entre milicianos e traficantes. Aliado de Lesk, Luís Paulo Aragão Furtado, conhecido como Vin Diesel, foi executado no último dia 16 de setembro, e Taillon era apontado como autor do homicídio.

Os investigadores também sabem que, no final da tarde de quinta, houve uma reunião na Vila Cruzeiro com alguns suspeitos de participação no crime.

Ocorreu uma videoconferência que envolveu até a cúpula da facção, que fica dentro do presídio Bangu 3. Fontes da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) confirmaram ao portal que foi marcado um encontro na Penha para o início da noite, para que os envolvidos fossem executados.

Médicos assassinados: quem são as vítimas?

A perícia colheu 33 sobras de projéteis de pistola calibre 9 mm de cano curto no local do crime e o reconhecimento das vítimas já foi apurado. Diego Ralf Bomfim, 35 anos, um dos 3 mortos, era irmão da deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) e cunhado do também deputado federal psolista Glauber Braga (RJ).

Marcos de Andrade Corsato, de 62 anos, morreu na hora. Ele era médico assistente do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Perseu Ribeiro Almeida, 33 anos, é a terceira vítima. O médico era especialista em cirurgia do pé e tornozelo pelo Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Morreu na hora.

Já Daniel Sonnewend Proença, de 32 anos, foi levado com vida para o hospital após levar 14 tiros. Ele é formado pela Faculdade de Medicina de Marília em 2016, é especialista em cirurgia ortopédica e seu estado era estável até a manhã de quinta, 5. A vítima está lúcida e respira sem a ajuda de aparelhos.

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