ONG constrói novas casas para famílias vulneráveis em São Paulo

Atuante desde 2017, a Construide constrói casas padrão para dar mais dignidade aos moradores

10:27 | Ago. 11, 2023

Por: Mariana Rebouças
Obra #85 - Santana de Parnaíba, SP (foto: Divulgação / Construíde)

Ter um chuveiro para tomar banho, um lugar para cozinhar ou mesmo um teto para se abrigar podem parecer coisas simples, mas está fora da realidade para de mais de 66 mil pessoas no Brasil, que segundo o Censo de 2022, feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), vivem em

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Tentar mudar essa dura realidade é a razão de existência da Organização Não Governamental (ONG) Construide.

Inúmeras famílias que antes moravam em barracos ou estruturas improvisadas, em alguns casos com risco de desabamento e situações sem condições sanitárias adequadas à saúde, conseguiram realizar o sonho de morar em uma casa própria e segura graças ao trabalho da organização.

Quando surgiu a ONG que constrói casas para famílias vulneráveis

A ONG, fundada no ano de 2017 em São Paulo pelo arquiteto Bruno Bordon, nasceu de uma missão evangelística que ele fez a uma família do interior do Piauí, conforme conta ao O POVO a atual CEO da instituição, Flávia Figliolino: “Eram 10 pessoas, um casal e oito filhos, todos crianças, e eles moravam numa condição muito precária”.

“Não tinha porta, não tinha janela, mas por ter um cheiro tão forte assim por dentro os animais de rua não entravam na casa [...] Os bebês faziam as suas necessidades no colchão, porque não tinha fralda, não tinha banheiro, e todo mundo dormindo nesse mesmo colchão [...] Ele ficou extremamente chocado, porque ele nunca tinha visto aquilo, ele que a vida inteira morou em Alphaville”, explicou Flávia.

Foi então que Bruno decidiu pedir ajuda em uma rede social e contatou amigos famosos como a cantora Priscilla Alcântara e Maju Trindade. Assim, ele conseguiu unir R$ 35 mil para ajudar a família. Mas, ao retornar ao Nordeste, o casal tinha se separado e a família havia se desfeito.

Ainda com o aporte financeiro adquirido, o arquiteto se comprometeu a ajudar outras famílias que passavam por situações similares. Desde então, a Construide – agora com nome e CNPJ – entregou mais de 90 casas familiares e impactou, direto ou indiretamente, 27 mil pessoas. 

 Veja imagens do antes e depois das casas reformadas

ONG usa as redes sociais para divulgar histórias de famílias vulneráveis 

Um dos principais meios de divulgação do trabalho da ONG é o Instagram (@construide). É por lá que é compartilhado o antes e depois, mutirões de voluntários, vagas, captação de recursos financeiros e principalmente histórias.

A cada obra, a ONG mostra a realidade de uma família que convive diariamente com a falta de estrutura e as dificuldades que se escondem nas periferias do estado mais rico do Brasil.

Em uma das mais recentes histórias contadas pela Construide, uma mãe de 28 anos revelou para a equipe que a filha, de apenas 6 anos, sofreu bullying na escola em uma atividade escolar: "Na escola pediram pra ela desenhar onde mora e ela desenhou um barraquinho, né? E aí os coleguinhas tiraram sarro dela porque ela mora em um barraco”.

Bruna, a mãe, relatou também que está se recuperando de uma depressão e luta, ao lado do marido, para dar uma vida melhor a sua filha. Já a menina, mesmo com a pouca idade, conta que seu sonho é ver os pais felizes e tranquilos.

À frente da realização desses e outros sonhos de famílias com realidades similares, está Flávia Figliolino, que já trabalhava com contabilidade antes da ONG, mas abriu mão das funções para se dedicar exclusivamente ao projeto.

Como funciona a construção das casas

Ela conta que são selecionados voluntários externos, voltados para as obras de demolição, e internos, que atuam na comunicação, projetos, administração e etc. Para esta última modalidade, o voluntário pode participar de qualquer lugar do Brasil, remotamente.

A Organização também recebe doações financeiras para projetos específicos ou para custos gerais. Para isso, o doador voluntário pode entrar no Instagram @construide e clicar no link presente na bio.

Além dos voluntários, a ONG conta com profissionais da construção civil para executar as obras e entregar casas mais dignas para as famílias.

São três projetos padronizados com 26 m², 34 m² e 41 m² que se adaptam ao tamanho da necessidade e do terreno pertencente à família. Flávia conta que a meta é finalizar o ano de 2023 com 96 casas construídas.

Como a ONG seleciona as famílias para a construção das casas

O processo de seleção rigoroso exige que as famílias ou algum conhecido realizem uma inscrição no site da ONG, seguindo os passos indicados. Com isso, a equipe da Organização avalia o caso e dá a resposta positiva ou negativa para a construção.

Apesar de atuar em São Paulo, a ONG é aberta a fazer conexões com outros projetos de outros estados brasileiros oferecendo consultoria e orientações para a execução de obras similares em seus estados.

“Tivemos obras pontuais em Sergipe, Goiás, Paraná e em Brumadinho, em Minas Gerais, duas casas depois da quebra da barragem, e também na Amazônia. De forma pontual, a gente já conseguiu avançar o projeto para outros estados e hoje em dia a gente tem um plano de expansão, em que a gente se conecta com ONGs de outros lugares do Brasil e forma essas organizações para construir a nossa casa”, explica.

Serviço

 Conheça mais histórias de famílias impactadas: @Construide ou através do site
Seja um doador: www.construide.org/comodoar
Seja voluntário: obra ou interno
Conte uma história: www.construide.org/conteumahistoria