Saiba como o dia 8 se tornou o Dia Internacional da Mulher
Celebrar o dia 8 de março é relembrar a luta das mulheres pela conquista de seus direitos. Mas você sabe como essa data ganhou a sua devida representatividade?
19:40 | Mar. 08, 2023
O dia 8 de março, para além de engrandecer as mulheres por seu papel importante nas construções sociais, é um dia para relembrar a luta por igualdade, o fim do machismo e da violência que, ainda, é muito presente na sociedade. Celebrar o Dia Internacional da Mulher traz consigo a reflexão da importância da valorização de todas as mulheres, já que a figura feminina ainda é muito associada aos cuidados com o lar.
Mas ao contrário do que se imagina, este dia não vem apenas do incêndio que vitimou 146 trabalhadores em uma fábrica têxtil nos Estados Unidos, em 1911. É necessário voltar um pouco mais no tempo para entender o contexto no qual esse dia, de relevância política e social, está inserido.
O POVO reuniu algumas informações relevantes para que você entenda melhor a importância desse dia e como ele surgiu.
Uma luta de séculos
Para entender melhor por que o dia 8 foi escolhido para comemorar esta data, precisamos voltar ao século XX. A professora e mestre em Sociologia, Vanderlene Farias, explica que dois fatos históricos marcam o surgimento da celebração do Dia Internacional da Mulher.
Um deles é o protesto das operárias russas em 1917 e outro é a greve em uma fábrica têxtil nos Estados Unidos. Mas que em ambos os momentos, as mulheres lutavam por melhores condições de trabalho e pelo direito a uma vida mais digna.
“O dia 8 de março se relaciona à greve das operárias russas no ano de 1917, em que milhares de operárias foram às ruas reivindicando melhores condições de trabalho, pois suas jornadas chegavam a 14 horas de trabalho diárias e até crianças trabalhavam, não havia qualquer garantia trabalhista, férias, salário digno ou segurança no ambiente das fábricas”, contextualiza.
A greve em questão ficou conhecida como “Pão e Paz” porque também lutava contra as consequências decorrentes da Primeira Guerra Mundial.
“Uma das mulheres mais lembradas é Clara Zetkin, que pertencia ao Partido Comunista Alemão e é um ícone dentro do movimento feminista. Ela propôs a criação do Dia Internacional da Mulher na Segunda Conferência Internacional das Mulheres Socialistas em 1910. Juntamente com Clara Zetkin também destacou-se Alexandra Kollontai, uma revolucionária russa”, expõe.
Mais que uma celebração, uma luta política
O Dia Internacional da Mulher, que se popularizou em 1977 quando foi reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU), é uma data política muito importante para a luta das mulheres por igualdade e respeito. A cientista política, Carla Michele Quaresma, explica que comemorar o 8 de março nos lembra que vivemos em uma sociedade extremamente excludente, embora as mulheres sejam maioria na sociedade.
“Isso não está representado nas instâncias do poder, não está nos parlamentos. Muito menos no poder executivo. É uma data que nos faz lembrar que há uma diversidade muito grande, disso que nós consideramos o universo feminino. porque É muito diferente a situação de uma mulher que vive numa área privilegiada, de um grande centro urbano, da situação de uma mulher que vive em áreas periféricas”, pontua Michele.
A cientista frisa ainda que vale ressaltar que vivemos em uma sociedade em que a mulher morre por ser mulher, que mulheres morrem por condições de gênero e por esse motivo é importante que o 8 de março marque a necessidade de uma mudança de mentalidades.
“Essa mudança se dá por meio da educação, mas também pela mudança de dispositivos legais que garantam que cada vez mais as mulheres possam ocupar os espaços necessários para garantir o atendimento das demandas plurais dos universos femininos”, finaliza.
Um dia de luta também por representatividade
A educadora social, Virginia Ramos, comenta que não se vê representada pelo movimento feminista pelo fato de que, no momento que as mulheres saíam de suas casas para lutar por seus direitos, as mulheres pretas permaneciam em casa para realizar os trabalhos domésticos.
Ela diz que se a luta é por igualdade, que a igualdade seja buscada. “Falo por mim como mulher preta, mas onde ficam as mulheres trans? Que não são chamadas nem para falar e discursar sobre a data? Por isso que eu não me sinto representada pela luta feminista”, diz. Virginia completa que nesse momento é importante levantar a pauta de luta não só no dia 8 de março, mas constantemente para que, assim, a igualdade para todas seja conquistada.