Artigo: Sobre o poder das redes sociais

Precisamos intensificar o debate a respeito do poder das redes sociais. E agir, urgentemente.

07:43 | Abr. 16, 2023

Por: Hamilton Nogueira
FORTALEZA, CE, BRASIL, 04.04.2022: O Povo Tecnologia - Hamilton Nogueira (Foto:Thais Mesquita/OPOVO) (foto: Thais Mesquita)

Por Hamilton Nogueira

O conceito de estar em rede não demanda esforço algum. A metáfora mais compreendida do mundo moderno está posta em nossos hábitos. Vivemos numa rede vigorosa de conexões múltiplas, rápidas e eficazes, porém perigosas. Para mandar um elogio ao artista predileto, bastam alguns movimentos mínimos. Para agredir também. Por isso a maior invenção comunicacional da história, pode também ser uma ameaça sem  precedentes. E precisa ser revista. Com urgência.

Como não há mais o que falar a respeito do poder das redes sociais. Como não é mais preciso alertar a respeito do poder algorítmico sobre o comportamento das pessoas, resta debater seriamente o que parlamentos e governos irão fazer para entregar a força de convencimento e inserção das redes sociais para quem as alimenta, que são as pessoas mais comuns. E que podem ser as maiores vítimas.

Pequenos negócios, grandes decisões, denúncias de assédio, campanha para financiamento de um livro. Tudo passa pelas redes sociais que hoje não podem mais deixar de existir. Há todo um hábito social, político e econômico ancorado nelas. Por isso, é o caso de se fazer uma pergunta: rede social global pode ter proprietário? Uma rede social planetária que nos ouve, nos vê e sabe de todos os nossos desejos, é mais
forte que nós mesmos. Pode, então, nos convencer de que roupa usar, em quem votar e pode nos convencer sobre quem devemos odiar.

Repito a pergunta: pode um poder desses ter um proprietário? Pode um poder desses ter o direito de não abrir de sua construção lógica? As redes sociais têm o direito de operar como bem entenderem sem um olhar coletivo composto por estudiosos, pesquisadores, cidadãos, cidadãs? Têm as redes sociais o direito de não moderar o conteúdo em questões como ameaça à vida, pedofilia, crimes de ódio, ataques à democracia com a clara intenção de desestabilizá-la?

Parece etéreo, mas uma rede social é uma empresa, e é urgente que obedeça a uma good governance digital capaz de responsabilizá-la por sonhos alucinados de autocratas, devaneios de pequenos ditadores, desequilíbrios de pessoas violentas e demais delinquentes.