Ceará é o estado do Nordeste com maior número de doadores de medula óssea
Ao todo, são 244 mil pessoas cadastradas no banco de doação, segundo o Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea
08:00 | Jan. 11, 2026
Segundo o Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome), o Ceará é o estado do Nordeste com o maior número de doadores de medula óssea, com mais de 244 mil pessoas cadastradas no banco.
Ela é essencial para a saúde e vital para tratar doenças como leucemia e linfomas através do transplante. O Redome é o sistema de cadastro de doadores voluntários para encontrar indivíduos compatíveis.
A medula óssea é um tecido gelatinoso localizado no interior dos ossos, conhecido como “tutano”, que funciona como uma fábrica de células sanguíneas, produzindo glóbulos vermelhos (transporte de oxigênio), glóbulos brancos (imunidade) e plaquetas (coagulação) a partir de células-tronco.
“A doação de medula óssea não é frequente, a pessoa só doa se for compatível com algum paciente, e a medula se regenera naturalmente após a doação. Caso seja necessário, uma nova doação só ocorre após avaliação médica, respeitando um intervalo seguro”, explica a bióloga e gerente de uma unidade de transplante, Juliana Cardoso.
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Ela explica que o doador precisa estar na faixa entre 18 e 35 anos para o cadastro (o registro permanece ativo até os 60 anos), não ter doenças infecciosas transmissíveis pelo sangue (HIV, hepatite), câncer ou doenças autoimunes graves. A compatibilidade é determinada por exame genético (HLA).
“Para o paciente, o transplante é semelhante a uma transfusão de sangue e não causa dor. Para o doador, a coleta pode ser feita por punção da bacia (sob anestesia) ou por aférese (como uma doação de sangue). Em ambos os casos, não há dor durante o procedimento. Pode ocorrer apenas um desconforto leve depois, controlado com analgésicos simples”, esclarece.
Medula Óssea: como doar?
Para a doação, Juliana Cardoso explica que o primeiro passo é procurar um hemocentro credenciado e realizar o cadastro no Redome, que para resguardar o doador, é permitido doar até duas vezes, desde que sejam de fontes distintas (sangue periférico ou medula óssea).
Com isso, será coletada uma pequena amostra de sangue para análise genética. Seus dados ficam no banco nacional e você será chamado apenas se houver compatibilidade com algum paciente. Algumas condições podem impedir a doação, e cada caso é avaliado individualmente.
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“O transplante é indicado para doenças que comprometem a produção de células do sangue, como: leucemias (agudas e crônicas), linfomas, mieloma múltiplo, anemia aplástica grave, anemia falciforme, talassemia, imunodeficiências congênitas e algumas doenças metabólicas hereditárias”, destaca a bióloga.
Ela ainda lembra que tratamentos como a quimioterapia destroem a medula. Para muitos pacientes, o transplante é a única chance de cura ou de sobrevivência.
“O SUS garante esse procedimento como direito do cidadão e realiza de 70% a 80% dos transplantes no Brasil. Existem mais de 100 centros autorizados pelo Ministério da Saúde, mas há desafios como filas de espera e desigualdade regional (com maior concentração no Sudeste). Ainda assim, o Brasil possui o terceiro maior registro do mundo, com mais de 6 milhões de cadastrados”, conclui.