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Cirurgia de Angelina Jolie ocorre em caráter experimental no Brasil, diz especialista

O POVO Online ouviu o presidente da Sociedade Cearense de Oncologia, que afirmou que o procedimento ainda ocorre em caráter experimental no Brasil

15:54 | 14/05/2013
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O caso da atriz americana Angelina Jolie, que passou por uma dupla mastectomia preventiva para reduzir o risco elevado de câncer de mama, despertou o interesse mundial para esse tipo de cirurgia. O POVO Online ouviu especialista, que afirmou que o procedimento ainda ocorre em caráter experimental no Brasil.

Em um artigo com o título "Minha opção médica" publicado no jornal New York Times, a atriz de 37 anos explica que decidiu passar pela operação porque tem uma mutação genética que aumenta o risco de câncer. Em seu caso, a mutação genética, conhecida como BRCA1, representava 87% de possibilidades de desenvolver um câncer de mama e 50% de ter um câncer de ovários.

O médico Luiz Porto, presidente da Sociedade Cearense de Oncologia, confirmou que se trata de uma medida preventiva para evitar um futuro câncer. "A pessoa se previne e se beneficia com a retirada da tireóide, das mamas e ovários", disse Luiz Porto.

O médico falou que, diferente do Brasil, nos Estados Unidos o procedimento é mais comum e conta com a colaboração da Clínica Mayo, importante centro médico acadêmico americano que, desde 1987, ajuda a medicina no tratamento de câncer.

No Brasil, o médico revelou que a cirurgia ocorre em caráter experimental e que há muita limitação nos recursos técnicos e humanos. "Há muita limitação. É muito difícil, por exemplo, fazer o teste do BRCA1. Mas, quando conseguimos, a gente realiza a cirurgia, porém, de uma maneira ainda muito inicial, em fase experimental", disse.

Para o médico, casos como da Angelina Jolie são importantes para que haja uma legislação específica e a criação de um conselho para tratar desse tipo de cirurgia. "Vamos retirar uma glândula que não tem doença. Vamos tirar um órgão sadio. Isso pode ser considerado crime. É uma lesão corporal de natureza grave. Precisamos ter a aprovação do comitê de ética", afirmou. No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) não cobre a cirurgia, somente clínicas particulares.

Prevenção

Mulheres têm maior predisposição para o câncer de mama e devem realizar exames preventivos como rotina. Nódulos nos seios podem ser percebidos pelo exame do toque (ou autoexame). O melhor período para o autoexame é uma semana após a menstruação. Exame clínico, mamografia e ultrassonografia, realizados pelo médico, dão diagnósticos mais precisos do câncer de mama. A periodicidade varia de seis meses a um ano, considerando-se os fatores de risco.

O médico Luiz Porto, uma das referências na área de mastologia, lembra os fatores de risco do câncer de mama: idade (a partir de 50 anos, toda mulher é do grupo de risco), história familiar (ter parentes em primeiro grau com a doença), não ter filhos ou tê-los depois dos 30 anos, não amamentar, tomar hormônios (reposição hormonal) ou anticoncepcional de forma abusiva (sem orientação médica e por mais de cinco anos), obesidade, sedentarismo e álcool em excesso.

Redação O POVO Online

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