Ciro diz que situação com irmão Cid Gomes é "inconciliável"

Ex-ministro descartou concorrer a presidente em 2026 e deixou em aberto candidatura no Ceará

16:01 | Fev. 07, 2026

Por: Yago Pontes
O ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes (PSDB) (foto: FÁBIO LIMA)

De lados opostos no tabuleiro político do Ceará, o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) disse que a situação com o irmão Cid Gomes (PSB) é “inconciliável”.

Em entrevista coletiva após solenidade na Câmara Municipal de Juazeiro do Norte neste sábado, 7 de fevereiro, Ciro foi questionado da seguinte maneira:

“Se por acaso o Cid fosse candidato a governador para desmobilizar tanto o PT como, talvez, uma oposição do senhor, o senhor abriria mão dessa empreitada rumo à oposição ao estado do Ceará?”. Ao que o tucano respondeu:

“Veja, nossa questão não é nem familiar, nem remotamente uma questão de Chico ou Maria, ou Manoel. Nossa questão é que nós, que estamos nesse agrupamento aqui com nossas diferenças, achamos que o Ceará precisa desesperadamente mudar e, infelizmente, neste momento, o Cid está lá ajudando a manter o que está aí. Isso é inconciliável”.

Ainda durante a declaração para a imprensa, Ciro criticou novamente o PSB, destacando ser comandado no Estado por Eudoro Santana, pai do ministro da Educação, Camilo Santana (PT). Ele foi lembrando que o irmão também compunha os quadros do partido. “Pois é, né? Constrangedor”, respondeu.

Ciro descarta concorrer a presidente em 2026

Questionado se poderia ser uma terceira via nas eleições presidenciais de 2026, Ciro disse que, “nestas eleições, em nenhuma hipótese”.

“Não participo porque eu tenho uma crença muito negativa sobre essa polarização. Eu acho que ela está fazendo mal mortal ao Brasil”, iniciou, citando números da dívida pública.

Em seguida, o tucano considerou a situação financeira como um “desastre muito grande que tende a piorar” caso não se faça, na avaliação dele, “do processo político uma discussão de como resolver esse assunto, porque a solução, cada vez mais difícil, exige sacrifício”.

“E esse sacrifício só será feito se o povão entrar conscientemente no jogo. E, infelizmente, eles preferem um ao outro, numa disputa de ódios e paixões que não respondem nada desse negócio aí”.

Candidatura no Ceará segue em aberto

Sobre concorrer a governador do Ceará, o ex-ministro ainda não cravou a candidatura. “É o povo do Ceará [que vai decidir], sem dúvida”, iniciou Ciro.

“Eu tenho um impulso emocional de aceitar, mas o meu juízo está cada vez mais fraquinho, dizendo: 'Sai dessa, sabe? Chega de confusão, a política está muito suja, muita ingratidão, muita traição e tal'. Mas eu falo a você com muita sinceridade: eu só vou fechar essa disputa entre meu coração e a minha cabeça quando eu sentir que essa é uma responsabilidade verdadeira minha com o povo do Ceará”, resumiu.

Ciro foi cauteloso ao comentar acerca de pesquisas eleitorais que mostram bom desempenho dele no Estado.

“Pesquisa para quem tem a minha experiência é um mero retrato, e a vida é filme. Então o que que a gente tem que fazer? Dar uma olhadinha com rabo de olho na pesquisa, mas a gente tem que construir e amoldar o movimento de opinião pública. A pesquisa é um retrato. Se a gente tiver êxito em amoldar isso, o filme vai ter um final feliz a depender daquilo que a gente imagina que é necessário. Se não, as pesquisas também mudarão”. 

Fator Eduardo Girão

Com o senador Eduardo Girão (Novo) resistente a integrar o bloco de oposição que aposta em Ciro Gomes para a sucessão do governador Elmano de Freitas (PT), o ex-ministro evitou críticas diretas e ressaltou a autonomia do parlamentar.

“Acho que o senador Eduardo Girão tem todo o direito de lançar sua candidatura e eu não tenho nenhum comentário negativo a fazer. Pelo contrário, eu tenho mais do que respeito, eu tenho afeto por ele”, afirmou.

No fim de janeiro, Girão criticou a “ansiedade” da direita por alianças contra o PT no Ceará, classificando aproximações como uma mistura de “água e óleo” (um sistema heterogêneo e imiscível).

Lembrado sobre esse comentário, o tucano citou a própria atuação, segundo ele, em prol do senador do Novo.

“Para bem-dizer, eu ajudei ele a se eleger, porque eu fui contra o acordo que o Cid e o Camilo fizeram para apoiar o Eunício Oliveira na data e ajudei a eleição do Girão”.

Por fim, Ciro disse que caberá a Girão definir o próprio papel na corrida eleitoral. “Ele é que vai ser o juiz de qual é a principal tarefa nesse instante em jogo na disputa. Não serei eu que vou dizer para ele o que é que deve fazer”.

E a federação União Progressista?

Conforme antecipou o colunista Henrique Araújo, do O POVO, um encontro em Brasília na terça-feira, 3, reafirmou a ida da federação União Progressista para a oposição cearense.

Neste sábado, o tucano disse que a conversa com os presidentes do União Brasil, Antônio Rueda, e do Progressistas, Ciro Nogueira, foi “muito agradável”.

“Sobre candidaturas, a gente, não só eu, eles também têm uma certa perplexidade, porque eles não consideram ainda fechado o quadro de alternativas, como de fato não está fechado. Então, não falamos de nada a não ser sobre o Ceará. E aqui no Ceará eu voltei com a esperança renovada de que eles vão nos ajudar”.

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