Caso Orelha: políticos cobram justiça após cachorro ser espancado e morto em Santa Catarina

Cachorro foi brutalmente espancada por jovens em área nobre de Florianópolis; caso é investigado pela Polícia Civil

17:31 | Jan. 29, 2026

Por: Bruno Vasconcelos
Cão Orelha foi brutalmente agredido por grupo de adolescentes (foto: Reprodução / Redes Sociais)

Diversos nomes do cenário político manifestaram repúdio e cobraram justiça em relação ao Caso Orelha, o cão comunitário que foi agredido e morto por um grupo de adolescentes no bairro Praia Brava, em Santa Catarina (SC). A ocorrência, registrada no último dia 4, repercutiu nacionalmente e ganhou força nas redes sociais, com a hashtag #JustiçaPorOrelha.

O caso gerou declarações da primeira-dama, Janja, do governador de SC, Jorginho Mello (PL) e de parlamentares na Câmara dos Deputados, como o deputado federal Célio Studart (PSD). Na última segunda-feira, 26, uma operação foi deflagrada pela Polícia Civil de SC para cumprir mandados de busca e apreensão contra os jovens e adultos responsáveis por eles.

Até o momento, ninguém foi detido, porém, as autoridades indiciaram a família de suspeitos, pelo crime de coação. Jorginho afirma ter demorado a acreditar que adolescentes, residentes de um ambiente estruturado, agrediram o cachorro por pura maldade. Além de ressaltar a inocência de Orelha, o dirigente sugere uma reflexão sobre o que os jovens poderiam se tornar.

A operação de hoje serviu para ir além dos crimes cometidos por adolescente. Coação, ameaça, e por aí vai. pic.twitter.com/8tT2Kh5WfP

— Jorginho Mello (@jorginhomello) January 26, 2026

"O Orelha não era apenas um cachorro. Ele fazia parte daquele lugar. A lei será cumprida. Tudo isso será investigado até o fim, não importa quem sejam nem os sobrenomes que carregam. Lamento que o nosso estado esteja no centro de uma manchete tão triste, mas que essa dor se transforme em ação, em mudança e em proteção aos animais", disse o governador.

A primeira-dama Janja publicou uma nota manifestando indignação e se solidarizando à comunidade que cuidou do cãozinho. Ela chamou a população a refletir sobre o caso.

“Eu nunca entendi o que se passa na cabeça e no coração de quem tem coragem de maltratar outro ser vivo. Principalmente um ser indefeso, como um cachorro. Acho que é por isso que tem me causado tanta tristeza. Quando a brutalidade vira desafio, quando o outro ser deixa de ser visto como alguém que sente, algo está muito errado! Esse caso me faz lembrar de uma frase dita por Caetano em 1968: ‘Que juventude é essa que diz que quer tomar o poder?’”, escreveu.

PL que torna prática crime hediondo tramita na Câmara

O deputado federal Célio Studart (PSD) conseguiu garantir a urgência na tramitação do Projeto de Lei 2.475/2025, que visa incluir os crimes de maus-tratos contra animais, que resultarem em morte, na Lei dos Crimes Hediondos. O projeto, que tem a coautoria da deputada federal Laura Carneiro (PSD/RJ), estabelece punições mais severas para esses crimes.

Caso seja aprovado no Plenário, o projeto prevê que a prática que ocorreu com Orelha passaria a ser classificado como crime hediondo. Isso significa que a pena começa a ser cumprida em regime fechado, com menos chance de progressão e sem possibilidade de acordos para evitar o processo, tornando a lei mais rígida.

“Vamos pedir ao presidente Hugo Motta que paute este importante projeto na Câmara. Quando há morte, não estamos falando de um delito menor, mas de uma violência extrema que precisa ser tratada com o rigor que a lei reserva aos crimes mais graves. A sociedade brasileira exige essa resposta”, defendeu o deputado cearense.

Parlamentares cobram por legislação mais duras

Os senadores do PT, Humberto Costa (PT-PE) e Fabiano Contarato (PT-ES) manifestaram repúdio à situação e enfatizaram, em comum, que delitos como estes não podem ficar impunes.

“É inaceitável que ainda se pratique maus-tratos contra os animais. Principalmente porque hoje em dia, sabemos que eles são seres sencientes, que sofrem, sentem e nós temos que abolir definitivamente essa prática”, declarou o representante de Pernambuco.