Ex-assessor de Bolsonaro é preso após ordem de Alexandre de Moraes
Filipe Martins já havia sido condenado pela trama golpista. Ele teria violado medida que proíbe uso de redes sociais
10:06 | Jan. 02, 2026
Filipe Martins, ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foi preso preventivamente na manhã desta sexta-feira, 2, em sua residência, no município de Ponta Grossa, no Paraná.
Três policiais federais cumpriram o mandado de prisão preventiva estabelecido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, de acordo com informações apuradas pela Folha de S.Paulo.
A Polícia Federal (PF) o levou para a Cadeia Pública de Ponta Grossa Hildebrando de Souza, conforme a CNN Brasil.
O mandado de prisão foi decretado porque ele teria violado uma medida cautelar que proíbe o uso de redes sociais.
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Segundo a Folha, Moraes justificou que Martins teria utilizado a plataforma LinkedIn para buscar perfis de terceiros.
Em 30 de dezembro de 2025, o ministro do STF determinou que a defesa de Martins teria o prazo de 24 horas para explicar porque o ex-assessor de Bolsonaro usou a rede social LinkedIn.
A defesa negou que ele tenha usado a rede social e justificou que os perfis do ex-assessor estão sob gestão exclusiva dos advogados, a fim de levantar elementos a serem utilizados na defesa.
No despacho da ordem de prisão, Moraes escreveu que Martins demonstrou "total desrespeito" pelas normas impostas e pelas instituições democráticas, "em virtude de que, ao fazer uso das redes sociais, ofende as medidas cautelares aplicadas, assim como, todo o ordenamento jurídico".
Martins já cumpria prisão domiciliar
Filipe Martins foi condenado a 21 anos de prisão por envolvimento na trama golpista após as eleições de 2022, o que ele nega, em julgamento realizado em 16 de dezembro.
O ex-assessor de Bolsonaro (PL) para Assuntos Internacionais não cumpre a pena definitiva da sentença porque ainda restam os recursos sobre a condenação, os quais não foram esgotados.
Martins já estava em prisão domiciliar desde sábado, 27.
No último dia 26, Moraes tinha ordenado a prisão domiciliar de Martins e de outros nove réus no processo sob a justificativa de que havia risco de fuga.
A decisão foi tomada para evitar o risco de novas tentativas de fuga de outros condenados pela trama golpista, como acontecera com Silvinei Vasques, diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal no governo Bolsonaro, preso naquele mesmo dia ao tentar entrar clandestinamente no Paraguai.
O deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), também condenado pela tentativa de golpe, foi outro a fugir para o exterior para evitar a prisão.
Pedido de prisão preventiva veio após denúncia por e-mail
A prisão preventiva de Filipe Martins é consequência de um e-mail enviado ao gabinete de Moraes.
Uma mensagem foi enviada à Suprema Corte com a imagem das buscas feitas ao seu perfil na rede social LinkedIn, segundo informações da CNN. O e-mail deu origem à apuração que resultou na decisão judicial pela prisão realizada nesta sexta-feira, 2.
Defesa nega acesso a redes sociais
Em nota, a defesa de Filipe Martins diz que a prisão domiciliar do cliente é mais um "abuso" do ministro Alexandre de Moraes, e que foi determinada após um "ato de terceiro", em referência à tentativa de fuga de Silvinei Vasques.
O advogado defensor também diz que Filipe Martins não cometeu os atos que foram apontados contra ele pela PGR. Leia a íntegra:
Nota oficial - Defesa Filipe Martins
Em mais um capítulo da grande lista de abusos cometidos contra Filipe Martins, agora o Ministro Alexandre de Moraes impõe a ele uma prisão domiciliar por atos de terceiros.
Como o próprio ministro Alexandre de Moraes reconheceu em novembro, Filipe vem cumprindo de forma exemplar as medidas cautelares injustas e abusivas já impostas contra ele. Em novembro, Filipe foi ameaçado de prisão por um erro de leitura sobre o relatório da tornozeleira eletrônica e o ministro voltou atrás nessa ameaça após verificá-lo.
Porém, o que acontece agora é ainda pior. Por um ato de terceiro, pessoa que nada tem a ver com Filipe nem é de sua convivência, o ministro impõe a ele prisão domiciliar e uma gravosa restrição de visita, que vem somar às outras já abusivas cautelares impostas pela viagem inexistente.
Cautelares, aliás, que parecem ser eternas, pois mesmo esgotados os seus motivos em relação a Filipe, foram mantidas com decisões genéricas e sem fundamentação adequada.
A atitude do relator viola o princípio constitucional da personalidade da pena, segundo o qual “nenhuma pena passará da pessoa do condenado” (art. 5o, XLV).
Trata-se de mais um abuso, mais uma cautelar sem fundamento, como todas as outras, após uma condenação construída em cima da ignorância absoluta às provas e ao devido processo legal substancial.
Filipe Martins comprovou no processo que não participou de nenhum dos atos que lhe foi atribuído e até confirmado por testemunhas de acusação, como o General Freire Gomes e o Brigadeiro Baptista Júnior, mas isso foi completamente ignorado em um processo legal “postiço” e “artificial”, que não considerou realmente a defesa e apenas quis condenar a qualquer custo, como agora está sendo ignorada a individualidade da pena.
A Defesa repudia e denuncia mais esse ato contra seu cliente e conclama as instituições nacionais, especialmente a OAB, a denunciarem essa violação aos direitos fundamentais de um cidadão brasileiro.
Quem é Filipe Martins?
O ex-assessor de Bolsonaro tem 38 anos e é natural de Sorocaba (SP). Em seu perfil no LinkedIn, ele afirma ser formado em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (UnB) e ter cursado Diplomacia e Defesa na Escola Superior de Guerra, que integra a estrutura do Ministério da Defesa.
O paulista assumiu o cargo de assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República em 2019, no início do governo Bolsonaro, após ter trabalhado com o então ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, durante o governo de transição.
Martins diz ter atuado como intérprete e tradutor antes de se tornar assessor internacional do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele também afirma ter sido assessor econômico na Embaixada dos Estados Unidos no Brasil e professor em um curso preparatório para concursos públicos.
Ele se aproximou da família Bolsonaro em 2014, ao conhecer o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro pela internet. O "03" do ex-presidente se tornou seu padrinho político. Martins também se declara entusiasta de Olavo de Carvalho, mentor intelectual do bolsonarismo.
O ex-assessor de Bolsonaro foi apontado como integrante do chamado "gabinete do ódio", grupo acusado de usar redes sociais para difundir desinformação contra adversários de Bolsonaro. Desde 2022, ele não atualiza seu perfil no Instagram, onde ainda se apresenta como assessor especial. (Com Agência Estado)