Zambelli pediu para que ex-comandante da FAB não deixasse "Bolsonaro na mão"

O ex-chefe da FAB acrescentou ter afastado imediatamente a abordagem da deputada

16:34 | Mar. 15, 2024

Por: Luíza Vieira
Carla Zambelli, deputada federal (foto: Michel Jesus/Câmara dos Deputados)

A aliada do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), deputada Carla Zambelli (PL-SP), cobrou o ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB, Carlos Baptista Júnior, a não deixar o ex-mandatário “na mão”. A informação foi dada por Baptista durante depoimento à Polícia Federal (PF) sobre os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

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Aos investigadores, o ex-comandante da FAB disse que Zambelli o abordou no dia 8 de dezembro de 2022, quando estava em curso a pressão de Bolsonaro por uma eventual tentativa de golpe de Estado, conforme a investigação da PF.

Na declaração de Baptista, ele afirma após a formatura de aspirantes na Academia em Pirassununga foi interrompido por Zambelli nos seguintes termos: “Brigadeiro, o senhor não pode deixar o presidente Bolsonaro na mão”.

O ex-chefe da FAB acrescentou ter afastado imediatamente a abordagem da deputada. “Deputada, entendi o que a senhora está falando e não admito que a senhora proponha qualquer ilegalidade”, relatou.

Ainda conforme o depoimento, Carlos disse que reportou a situação ao então ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira.

O ministro, então, revelou a Baptista que foi abordado por Zambelli de forma semelhante.

Nos bastidores, fontes da PF sinalizaram que a deputada será chamada para prestar depoimento no inquérito que investiga o eventual golpe de Estado arquitetado por Bolsonaro. A data, no entanto, ainda não foi definida.

Os depoimentos

Nesta sexta-feira, 15, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, quebrou o sigilo dos depoimentos do dia 8 de janeiro. Dentre as declarações que se tornaram pública estão:

  • Ailton Gonçalves Moraes Barros, advogado, oficial da Aman e eleito deputado estadual suplente em 2022;
  • Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marinha;
  • Amauri Feres Saad, advogado;
  • Anderson Gustavo Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do DF;
  • Angelo Martins Denicoli, major da reserva;
  • Augusto Heleno Ribeiro Pereira, ex-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional);
  • Bernardo Romão Correa Netto, coronel;
  • Carlos de Almeida Baptista Junior, ex-comandante da FAB (Força Aérea Brasileira);
  • Cleverson Ney Magalhães, coronel e ex-oficial do Coter (Comando de Operações);
  • Eder Lindsay Magalhães Balbino, empresário e dono da Gaio Innotech;
  • Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira, general e ex-chefe do Coter;
  • Filipe Garcia Martins Pereira, ex-assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência;
  • Guilherme Marques Almeida, tenente-coronel;
  • Helio Ferreira Lima, tenente-coronel;
  • Jair Messias Bolsonaro, ex-presidente da República;
  • José Eduardo de Oliveira e Silva, padre de Osasco;
  • Laércio Virgílio, general da reserva;
  • Marcelo Costa Câmara, coronel da reserva;
  • Marco Antônio Freire Gomes, ex-comandante do Exército;
  • Mario Fernandes, general da reserva;
  • Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, ex-ministro da Defesa;
  • Rafael Martins de Oliveira, major das Forças Especiais;
  • Ronald Ferreira de Araújo Júnior, tenente-coronel;
  • Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros, tenente-coronel;
  • Tercio Arnaud Tomaz, ex-assessor de Bolsonaro;
  • Valdemar Costa Neto, presidente do PL;
  • Walter Souza Braga Netto, ex-ministro da Defesa, da Casa Civil e candidato a vice-presidente em 2022.

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