"Quem até os 20 não foi de esquerda, não tem coração", afirma Bolsonaro; veja vídeo

O presidente fez menção a um contexto de críticas aos países vizinhos na América do Sul que elegeram políticos de esquerda recentemente, como Argentina, Chile e Colômbia

17:16 | Jul. 06, 2022

Por: Filipe Pereira
O presidente da República, Jair Bolsonaro, participa do evento Brasil pela Vida e pela Família (foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

O presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou, nesta quarta-feira, 6, em conversa com apoiadores, que era "estatizante" durante sua juventude. O mandatário adaptou uma frase atribuída a Georges Clemenceau, primeiro-ministro da França que chefiou o país durante a Primeira Guerra Mundial, além de ser um dos autores da Conferência de Paz de Paris (1919), ocasião da assinatura do Tratado de Versalhes.

"Lá atrás, quando jovem, eu era estatizante. Como diz né, quem até os 20 não foi de esquerda, não tem coração. Quem, depois dos 30, continua de esquerda...Não tem cérebro", disse o presidente. A frase rememora a citação de Clemenceau: "Um homem que não seja um socialista aos 20 anos não tem coração. Um homem que ainda seja socialista aos 40 não tem cabeça".

Presidente Jair Bolsonaro (PL) : "Lá atrás, quando jovem, eu era estatizante. Como diz né, quem até os 20 não foi de esquerda, não tem coração. Quem, depois dos 30, continua de esquerda não tem cérebro". pic.twitter.com/NBRrQhoA00

— Jogo Político (@jogopolitico) July 6, 2022

Georges foi o fundador do jornal La Justice, um periódico de tendência radical, que aumentou consideravelmente a sua influência política. Em 1897, foi o responsável pela publicação de L'Aurore, em que o escritor francês Émile Zola lançou "J'accuse" a propósito do "Caso Dreyfus". Ele defendia os ideais republicanos e anticlericais de extrema esquerda. 

A famosa frase é reflexão de um contexto de guerra na Europa (1914 a 1918), momento marcado por conflito entre as grandes potências, o que resultou na morte de mais de 14 milhões de pessoas, entre militares e civis. 

Ao citar Clemenceau, o presidente fez menção a um contexto de críticas aos países vizinhos na América do Sul que elegeram políticos de esquerda recentemente, como Argentina,  Chile e Colômbia. Bolsonaro usou o discurso para defender o liberalismo econômico e disse que medidas como "colocar a Casa da Moeda para rodar dinheiro" de forma indiscriminada não resolveria a crise financeira do Brasil.