Moro recebeu R$ 3,5 milhões em consultoria que embolsou R$ 42 milhões de alvos da Lava Jato

A empresa tende a chancelar os repasses em comunicado ao Tribunal de Contas da União (TCU)

17:57 | Jan. 28, 2022

Por: Filipe Pereira
O ex-juiz e ministro da Justiça do Brasil Sergio Moro fala no lançamento de seu novo livro intitulado Contra o Sistema de Corrupção em Curitiba, Brasil, em 2 de dezembro de 2021. Sergio Moro, o ex-juiz por trás da Operação Lava Jato, a maior repressão à corrupção da história do Brasil, ingressou em um partido político de centro no mês passado e disse que estava avaliando uma disputa presidencial no próximo ano. (foto: Eduardo MATYSIAK / AFP)

O pré-candidato do Podemos à Presidência da República, Sérgio Moro, alegou, nesta sexta-feira, 28, ter recebido 656 mil dólares (o equivalente a 3,537 milhões de reais) durante os 12 meses em que trabalhou para a consultoria norte-americana Alvarez & Marsal. O ex-ministro deve confirmar o valor em uma transmissão ao vivo nas redes sociais em instantes. A informação foi antecipada pelo colunista do jornal O Globo Lauro Jardim.

A empresa tende a chancelar os repasses em comunicado ao Tribunal de Contas da União (TCU). Segundo o jornalista, o contrato indica que Moro recebia um salário mensal, sem remuneração variável, e embolsou um bônus de assinatura ao iniciar o trabalho.

No início desta semana, em entrevista ao Estado de S.Paulo, Moro afirmou que os valores recebidos por ele na passagem pela consultoria representam uma “questão privada”, embora a empresa tenha obtido no mínimo R$ 42,5 milhões de companhias investigadas pela Lava Jato.

Os R$ 42,5 milhões de reais se dividem da seguinte forma:

  • R$ 1 milhão por mês da Odebrecht e da Atvos (antiga Odebrecht Agroindustrial);
  • R$ 150 mil da Galvão Engenharia;
  • R$ 115 mil do Estaleiro Enseada (que tem como sócias Odebrecht, OAS e UTC);
  • e R$ 97 mil da OAS.

O questionamento sobre os rendimentos do ex-ministro na consultoria partiu do TCU, que avalia se houve conflito de interesses pelo fato de o escritório atender empreiteiras investigadas pela Operação Lava Jato, da qual ele foi o juiz responsável pelos casos. O PT chegou a cogitar colher assinaturas para abrir uma comissão parlamentar de inquérito (CPI), mas acabou desistindo.

Após ser contratado pela consultoria em 2020, Moro foi anunciado pela própria empresa como sócio-diretor de Disputas e Investigações. Poucos meses depois, conforme manifestação do escritório ao TCU, ele foi “rebaixado” a “consultor”. Em outubro de 2021, na busca de efetivar sua candidatura no Brasil, o ex-juiz teve o contrato rescindido.

De acordo com Moro, se houvesse investigação, não seria encontrado "nada de errado", e os críticos iam "quebrar a cara". Disse também que esse processo na Corte de contas "é um abuso, cheio de ilegalidades". Ele ainda destacou que, além dos valores recebidos, publicará o Imposto de Renda.