Reportagem revela treinamento do Exército para combater movimentos de esquerda

Reportagem teve acesso a documentos de simulação do Exército em que candidatos a integrar o Batalhão de Forças Especiais tiveram de combater uma "organização armada clandestina" com referências a movimentos de esquerda

05:25 | Dez. 08, 2021

Por: Maria Eduarda Pessoa
1° Batalhão de Forças Especiais do Exército (foto: Reprodução Exército Brasileiro )

Uma reportagem do Intercep Brasil, assinada pelo jornalista Rafael Moro Martins, revela documentos com detalhes da Operação Mantiqueira - uma simulação do Exército em que candidatos a integrar o Batalhão de Forças Especiais (BFEsp) tiveram de combater uma “organização armada clandestina”. No texto que apresenta o exercício, a força explica que o inimigo fictício surgiu “de uma dissidência do Partido dos Operários”, o “PO”, que “recruta e treina militantes do MLT”, o “Movimento de Luta pela Terra”.

A Operação Mantiqueira foi realizada em novembro de 2020 em Piquete, um município de São Paulo localizada no Vale do Paraíba e próximo à divisa com Minas Gerais e Rio de Janeiro. Segundo a reportagem, que teve acesso aos documentos do exercício, participaram da operação sargentos de carreira e oficiais do Exército que eram alunos do Centro de Instrução de Operações Especiais (CIOpEsp), localizado em Niterói.

A simulação é a última atividade entre as etapas para o ingresso no Batalhão de Forças Especiais (BFEsp), sediado em Goiânia (GO).

O texto que detalha o exercício aos alunos do CIOpEsp começa apresentando o “Exército de Libertação do Povo Brasaniano”, o ELPB, “criado a partir de um projeto de partido político de caráter marxista e com uma organização armada clandestina, nascido de uma dissidência do Partido dos Operários e que recruta e treina militantes do MLT” num país fictício chamado Brasânia.

A reportagem aponta referências ao Exército de Libertação Nacional da Colômbia, ao Partido dos Trabalhadores e ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), além de um movimento que luta pela reforma agrária chamado Movimento de Luta pela Terra, fundado na década de 1990 na Bahia.

“As cores do ELPB são defendidas em diversos tipos de protestos pelo país, logo o ELPB não é apenas um grupo criminal, mas um movimento que assume contornos de irregularidade com objetivos políticos”, prossegue o texto assinado pelo major Marcos Luís Firmino, oficial de inteligência do BPFesp.

O jornalista que assina a publicação detalha que procurou a assessoria de imprensa do Exército para confirmar a autenticidade do documento e saber mais detalhes sobre a atividade. O Exército retornou que não responderia, mas não desmentiu os documentos.