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Cerveró diz que diretoria executiva da Petrobras aprovou negócio das sondas

18:20 | 15/01/2015
O ex-diretor da área de Internacional da Petrobras Nestor Cerveró afirmou que a compra dos navios-sondas de perfuração marítima, que teriam sido alvo de propina de US$ 30 milhões, foram feitas "fora de procedimento licitatório" e aprovada pela Diretoria Executiva da estatal petrolífera, "composta por seis diretores e o presidente a quem cabe examinar a compra de equipamentos e construção de refinarias e gasodutos".

Na época, o presidente da Petrobras era Sérgio Gabrielli, apadrinhado político do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Gostaria de esclarecer de forma espontânea que a aquisição das sondas em questão se deu fora de procedimento licitatório, por ser incabível diante das circunstâncias que cercavam o negócio, que visava atender uma necessidade específica e imediata da Petrobras", disse Cerveró em depoimento de mais de três horas na manhã de hoje.

Cerveró afirmou ainda que o negócio teve parecer jurídico da estatal. O ex-diretor, preso desde terça-feira, dia 13, acusado de tentar ocultar patrimônio mesmo depois de denunciados por corrupção e lavagem de dinheiro no esquema multibilionário alvo da Lava Jato. Por meio de indicações políticas, partidos da base do governo (PT, PMDB e PP) controlavam um esquema de corrupção, cujas propinas variavam de 1% a 3%.

Fernando Baiano

Cerveró foi questionado em especial sobre seu envolvimento com outro réu da Lava Jato, Fernando Baiano. Ele respondeu que "conheceu por volta do ano de 2000, quando era gerente executivo de Energia" da Petrobras e que ele teve participação ativa no negócio das sondas, sabendo que recebeu comissão por isso.

Trata-se de Fernando Antônio Falcão Soares, apontado como operador do esquema de propina para o PMDB via Cerveró. O ex-diretor diz tê-lo conhecido em 2000 e ter relação de amizade com ele.

"Fernando representava empresas espanholas do ramo de energia térmica", afirmou a quatro delegados da Polícia Federal, que ouvira seu depoimento. Cerveró lembrou que, nesse período, o País passava por uma crise de abastecimento e apontou a Union Fenosa como uma dessas empresas representadas pelo suposto operador do PMDB.

"Tais empresas tinham interesse em entrar no mercado brasileiro e que outras teriam feitos contatos semelhantes a época", disse Cerveró.

Segundo ele, Baiano continuou atuando na Petrobras, "tendo se dirigido a outras diretorias, como a de Abastecimento e Gás e Energia.

A primeira, era ocupada pelo ex-diretor Paulo Roberto Costa, por intermédio do PP. Preso em março de 2014, ele acabou confessando os crimes e virou delator do caso. A de Gás e Energia era ocupada pela atual presidente da Petrobras, Graça Foster. Cerveró não citou nome no depoimento.

Sua única referência à Graça, foi quando perguntado sobre as transferências de imóveis que fez para as filhas.

"A atual presidente da Petrobras realizou operações semelhantes, transferindo imóveis aos filhos dela", afirmou Cerveró ao ser questionado sobre as informações veiculadas na imprensa em que o nome de Graça foi citado pela sua defesa.

Acompanhado do criminalista Beno Fraga Brandão, Cerveró negou ter recebido propina nas negociações de navios-sonda, que teriam resultado em uma propina de US$ 30 milhões paga pelo executivo Julio Camargo, delator do processo. Ele afirmou também que suas transações financeiras foram legais e feitas para deixar dinheiro para filha, que mora do Rio, durante sua viagem à Londres.

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