Agentes anti-imigração de Trump matam 2º civil em Minnesota

00:01 | Jan. 27, 2026

Por: DW

Novo assassinato a tiros acirra tensão em marchas ao redor de Minneapolis, com relatos de truculência policial. Governador pede fim imediato da captura de indocumentados.Sob protestos contra as operações anti-imigração do governo dos Estados Unidos, a cidade de Minneapolis registrou neste sábado (24/01) o segundo assassinato de um civil em três semanas por agentes federais. O alvo desta vez foi Alex Pretti, um enfermeiro de 37 anos e nacionalidade americana identificado pelos próprios pais. Em 7 de janeiro, a cidadã americana Renée Good foi baleada e morta por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) durante uma operação para capturar migrantes indocumentados. Somado aos repetidos relatos de violência durante as batidas do ICE ao redor do país, o assassinato de Good serviu de estopim para eclodirem manifestações massivas em Minneapolis, mesmo com temperaturas de -29 °C. Quando o novo caso veio à tona, manifestantes já estavam espalhados por vários pontos da cidade para pedir a saída do ICE, que em 1° de janeiro mobilizou cerca de 2 mil agentes para uma operação encomendada por Trump. Imagens de truculência A notícia acirrou ainda mais a tensão nas ruas, com renovada opressão policial contra manifestantes. Diversas imagens publicadas pela imprensa mostravam nuvens de gás lacrimogêneo onde havua choque entre forças de segurança e manifestantes. De acordo com organizadores dos protestos, mais de 700 estabelecimentos comerciais no estado de Minnesota estavam fechados em consequência da convocatória para as marchas. Segundo o Departamento de Segurança Interna (DHS), Pretti se aproximou armado de oficiais de controle de fronteira, que vêm assistindo o ICE nas operações contra imigrantes. "Os oficiais tentaram desarmar o suspeito", que "violentamente resistiu", disse o DHS na rede social X, publicando uma foto de uma arma que pertenceria a Pretti. Ele foi declarado morto no mesmo lugar. Um vídeo, cuja autenticidade foi confirmada por autoridades, mostra vários agentes cercando uma pessoa caída no chão e a golpeando várias vezes. Vários disparos são ouvidos. Em seguida, cerca de 200 manifestantes chegaram à cena e "começaram a obstruir e assediar” autoridades, segundo o DHS, afirmando que "medidas para controlar a multidão” foram aplicadas. A NBC News reportou que dezenas de agentes federais mascarados estavam no local. "Ele se importava com as pessoas" Centenas de pessoas bloquearam o cruzamento onde Pretti foi baleado, em torno de um memorial improvisado em sua homenagem. “Eles estão prejudicando nosso povo, estão levando nossos filhos embora”, disse a manifestante Fabiola Rodriguez, sob os aplausos da multidão nas ruas. “Estamos pedindo justiça e paz para todos, não apenas para os latinos. Pedimos isso para todos.” Ela tinha nas mãos uma furadeira com a qual havia pregado uma cruz de madeira em um poste de luz, bem como o apito vermelho que os ativistas locais têm usado para alertar sobre a presença do ICE. “Ele se importava profundamente com as pessoas e estava muito abalado com o que estava acontecendo em Minneapolis e em todo os Estados Unidos com o ICE, assim como milhões de outras pessoas estão abaladas”, disse Michael Pretti, pai de Alex. “Ele sentia que protestar era uma forma de expressar isso, sabe, o cuidado dele com os outros.” Pretti era nascido em Illinois. Assim como Good, registros judiciais mostram que ele não tinha antecedentes criminais. Segundo a sua família, ele nunca teve qualquer interação com as forças de segurança além de algumas multas de trânsito. Em uma conversa recente com o filho, seus pais, que vivem em Wisconsin, disseram a ele para ter cuidado ao protestar. "Tivemos essa conversa com ele há umas duas semanas, sabe, de que ele podia ir e protestar, mas não fazer nada estúpido", disse Michael Pretti. "E ele disse que sabia disso. Ele sabia." Governador: "Minnesota chegou ao limite" Em meio aos protestos crescentes, a polícia de Minneapolis pediu que a população mantenha a calma e "não destrua" a cidade. "Minnesota chegou ao limite. Isso é revoltante," escreveu na rede social X o governador do estado, Tim Walz, companheiro da ex-vice-presidente Kamala Harrisna chapa democrata das últimas eleições. Ele foi o primeiro a tornar público o caso e afirma que a investigação deve ser liderada por autoridades estaduais, e não federais. "O presidente precisa encerrar esta operação. Retirem os milhares de agentes violentos e sem treinamento de Minnesota. Agora." Autoridades federais disseram que o agente responsável pela morte de Pretti era um veterano com oito anos de experiência. Por sua vez, Trump acusou o prefeito de Minneapolis e o governador de Minnesota de "incitarem uma insurreição". O presidente já ameaçou antes evocar o chamado Insurrection Act (Ato de Insurreição), que o permitiria enviar tropas a Minnesota sob a justificativa de garantir a aplicação da lei. Anteriormente, a Casa Branca respondeu ao assassinato de Good, baleada dentro do carro, chamando-a de "terrorista doméstica". Sobre o caso de Pretti, o DHS disse que os agentes federais estavam numa situação em que "parecia que um indivíduo queria provocar danos máximos e massacrar os agentes da lei." ht (AP, Reuters, AFP, ots)