Wall Street fecha em forte queda devido a tensões sobre a Groenlândia

21:10 | Jan. 20, 2026

Por: AFP

A Bolsa de Nova York fechou em forte queda nesta terça-feira (20) diante das ameaças tarifárias do presidente Donald Trump contra a Europa por seu plano de anexar a Groenlândia.

Após passar a sessão no vermelho, o S&P 500 recuou finalmente 2,06%. O Dow Jones perdeu 1,76% e o índice Nasdaq caiu 2,39%.

"O mercado sofre fortes perdas após um agitado fim de semana prolongado de três dias (...) marcado por uma intensificação das tensões geopolíticas", resume Jose Torres, da Interactive Brokers.

Durante o fim de semana, Trump ameaçou oito países europeus com novas tarifas para conseguir a anexação da Groenlândia.

O presidente norte-americano justifica seu projeto invocando razões de segurança frente a russos e chineses.

Essas "ameaças de aumento das tarifas (...) suscitam preocupação entre os investidores, que temem que um eventual conflito comercial transatlântico provoque um período de forte turbulência nos mercados", afirmou Torres.

Art Hogan, da B. Riley Wealth Management, observa uma "aversão ao risco" na praça norte-americana, que lembra a onda de choque provocada pelo anúncio de tarifas "recíprocas" em abril.

"A menos que (Trump) recue de algumas de suas declarações, a situação corre o risco de piorar", acrescenta o analista à AFP.

Os investidores aguardam para quinta-feira a divulgação da nova estimativa de crescimento dos Estados Unidos para o terceiro trimestre e, no mesmo dia, do índice de preços PCE — a medida de inflação preferida do Federal Reserve (Fed, banco central) — correspondente aos meses de outubro e novembro.

Entre os papéis do dia, os "Sete Magníficos", apelido dado aos maiores nomes do setor de tecnologia, fecharam todos com fortes quedas, entre eles Nvidia (-4,38%), Amazon (-3,40%), Apple (-3,46%) e Microsoft (-1,16%).

A Meta (Facebook, Instagram, WhatsApp), por sua vez, recuou 2,60%, para 604,12 dólares, depois que a autoridade americana de concorrência (FTC) anunciou que irá recorrer de uma decisão judicial de novembro, que havia concluído que o grupo não ocupava posição dominante no mercado de redes sociais.

Nas operações eletrônicas após o fechamento, o gigante do streaming Netflix caía cerca de 5% após a divulgação de seus resultados do quarto trimestre de 2025, em linha com o esperado, mas acompanhados de previsões de fraco crescimento de sua receita.

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