EUA: investigadores estaduais dizem não ter acesso a provas no caso de mulher morta
09:01 | Jan. 09, 2026
A agência de investigações de Minnesota (BCA, na sigla em inglês) informou nesta quinta-feira, 7, que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos impediu a participação de seus agentes na investigação sobre o assassinato da mulher de Minneapolis, Renee Nicole Macklin Good, de 37 anos e mãe de três filhos, por um agente da Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês).
"A investigação agora será conduzida exclusivamente pelo FBI, e a BCA não terá mais acesso aos materiais do caso, às evidências da cena do crime ou aos depoimentos necessários para concluir uma investigação completa e independente", disse o superintendente do Departamento de Investigação Criminal de Minnesota, Drew Evans, em um comunicado.
Anteriormente, havia sido decidido que a BCA investigaria a morte de Good junto com o FBI, mas o Departamento de Justiça mudou isso, de acordo com Evans.
O anúncio foi feito enquanto manifestantes e policiais se enfrentavam na manhã desta quinta-feira do lado de fora de um tribunal de imigração em Minneapolis, com o governador de Minnesota, Tim Walz, pedindo moderação e as escolas cancelando as aulas por precaução.
Questionada sobre o desdobramento, a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, disse na quinta-feira que as autoridades de Minnesota "não têm jurisdição nesta investigação".
O caso
Renee Nicole Macklin Good, de 37 anos, levou um tiro na cabeça na quarta-feira, 6, disparado por um agente do ICE. Em vídeo que registrou o ocorrido, é possível ver que o carro de Good bloqueia a via por onde as viaturas do ICE tentavam passar. Um agente se aproxima do veículo e tenta abrir a porta. A motorista dá ré e parece tentar sair do local. Outro agente se aproxima e atira através do vidro dianteiro do carro.
O governo americano afirma que os agentes agiram em legítima defesa. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump afirmou que a mulher estava agindo de forma "muito desordeira, obstruindo e resistindo", e "depois violentamente, deliberadamente e cruelmente" ao trabalho do ICE. A secretária do Departamento de Segurança Interna, Kristi Noem, classificou as ações dela como um "ato de terrorismo doméstico".
No entanto, essa versão é negada por autoridades estaduais e locais de Minnesota e Minneapolis. Wal e o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, criticaram a fala de Noem - o primeiro classificou-a como "máquina de propaganda" e o segundo como um "lixo completo".
"Eu vi o vídeo. Não acredite nessa máquina de propaganda", escreveu Walz no X, respondendo à publicação do Departamento de Segurança Interna dos EUA. "O Estado (de Minnesota) garantirá que haja uma investigação completa, justa e rápida para assegurar a responsabilização e a justiça", escreveu o governador.
O chefe de polícia de Minneapolis, Brian OHara, descreveu brevemente o tiroteio a jornalistas, sem dar qualquer indicação de que a motorista estivesse tentando ferir alguém.
Renee Good foi lembrada como uma pessoa compassiva e generosa por membros da comunidade em que vivia. Ela tinha três filhos e era uma poeta premiada e guitarrista amadora, segundo a imprensa local.
*Este conteúdo foi traduzido com o auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial e revisado pela equipe editorial do Estadão. Saiba mais em nossa Política de IA.I