Deputados apresentam moção de censura contra governo francês por acordo UE-Mercosul e Venezuela
16:46 | Jan. 09, 2026
Deputados da esquerda radical apresentaram, nesta sexta-feira (9), uma moção de censura contra o governo francês, ao considerar que a França foi "humilhada" com o acordo entre a União Europeia e o Mercosul, ao qual Paris se opõe, e com a situação na Venezuela.
A UE deu seu aval, nesta sexta-feira, a este tratado de livre comércio, que permitirá à titular da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assiná-lo em breve.
Na véspera, o presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou seu voto contra pelo "repúdio político comum" em seu país ao pacto.
O partido A França Insubmissa (LFI), liderado por Jean-Luc Mélenchon, anunciou uma "moção de censura contra o governo" do primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, pela "humilhação" da França em Bruxelas com o Mercosul.
Na noite de quinta-feira, o presidente do partido de extrema direita Reagrupamento Nacional (RN), Jordan Bardella, antecipou que sua denominação apresentaria uma moção de censura contra o governo francês e outra no Parlamento Europeu contra a Comissão Europeia.
O primeiro-ministro francês acusou os dois partidos de cinismo e de "enfraquecer a voz da França", em um contexto no qual o governo busca aprovar a última parte de seus orçamentos de 2026 em um Parlamento onde carece de maioria desde 2024.
Segundo uma fonte do Executivo, Lecornu ordenou ao ministro do Interior, Laurent Nuñez, preparar uma eventual antecipação das eleições legislativas para 15 e 22 março, quando a França realiza eleições municipais, caso alguma das moções de censura prospere.
A Comissão Europeia negocia desde 1999 este amplo acordo com o bloco formado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, que criaria a maior zona de livre comércio do planeta, com mais de 700 milhões de consumidores, e eliminaria tarifas para mais de 90% de seu comércio bilateral.
O setor agropecuário europeu teme o impacto de uma chegada maciça de carne, arroz, mel e soja sul-americanos, que consideram mais competitivos por suas normas de produção, em troca da exportação de veículos, maquinário, queijos e vinhos europeus ao Mercosul.
A líder parlamentar da LFI, Mathilde Panot, também justificou a moção de censura pela "humilhação" da França no mundo, já que, em sua opinião, Macron foi "incapaz de condenar a agressão dos Estados Unidos contra Venezuela".
Com relação à Venezuela, os deputados da esquerda radical denunciam em sua moção "a guerra ilegal e ilegítima dos Estados Unidos" neste país e pedem a "libertação imediata" do presidente deposto Nicolás Maduro e da esposa, Cilia Flores, atualmente em uma prisão americana.
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