Respeitar vontade dos venezuelanos é única forma de restaurar democracia, diz UE
00:01 | Jan. 05, 2026
Bloco instou libertação de presos políticos e respeito ao direito internacional para evitar escalada. Hungria, simpática a Trump, foi único membro que ficou de fora de declaração conjunta.A União Europeia (UE) afirmou neste domingo (04/01) que respeitar a vontade do povo venezuelano é a única maneira de restaurar a democracia no país sul-americano, um dia após os Estados Unidos terem capturado o presidente Nicolás Maduro em Caracas. Em uma declaração apoiada por 26 Estados-membros — todos, exceto a Hungria —, a chefe de assuntos externos da UE, Kaja Kallas, pediu "calma e moderação por parte de todos os atores, para evitar uma escalada e garantir uma solução pacífica para a crise". "Respeitar a vontade do povo venezuelano continua sendo a única forma de a Venezuela restaurar a democracia e resolver a crise atual", disse o comunicado. Para a UE, Maduro não tem legitimidade democrática. O presidente agora derrubado é amplamente acusado de ter fraudado as eleições presidenciais de 2024 e de sufocar a oposição para se manter no poder. Libertação de presos políticos O texto também pediu a libertação de opositores no país sul-americano e fez um apelo por respeito ao direito internacional. "Todos os presos políticos atualmente detidos na Venezuela devem ser incondicionalmente soltos." Dois dias antes da captura de Maduro, a Venezuela anunciara a libertação de 88 pessoas presas por protestarem contra a contestada vitória do presidente há dois anos. A decisão foi interpretada como gesto de boa vontade do regime de Caracas num momento de forte pressão pelos EUA. Dentro e fora da Europa, diversos governos apontaram que o lançamento de bombas pelos EUA sobre solo venezuelano e a retirada à força de Maduro e da sua esposa, Cilia Flores, violaram a lei internacional, que define quando países podem atacar uns aos outros. Respeito à soberania A UE ainda acrescentou que compartilha a prioridade de combater o crime organizado e o tráfico de drogas, a justificativa da Casa Branca para a captura de Maduro, acusado por crimes ligados ao "narcoterrorismo." Segundo o bloco europeu, tais desafios devem ser enfrentados por meio de cooperação contínua, com respeito "aos princípios de integridade territorial e soberania." O ataque à Venezuela deste fim de semana foi a intervenção mais direta dos EUA na América Latina desde a invasão do Panamá em 1989. Maduro está em um centro de detenção em Nova York aguardando uma audiência prevista para segunda-feira perante um tribunal federal. O venezuelano nega envolvimento criminoso. Merz: "Avaliação legal levará tempo" No sábado, o chanceler federal alemão, Friedrich Merz, dissera que uma avaliação legal do ataque contra a Venezuela levará tempo. Ele alertou contra o risco de "instabilidade política" no país sul-americano, pedindo uma "transição para um governo legitimado por eleições". Classificando como "complexa" a justificativa americana, ele afirmou que Maduro "levou o seu país à ruína" e "desempenhou um papel problemático na região, formando alianças infelizes em todo o mundo e envolvendo a Venezuela no tráfico de drogas." Já o escritório diplomático da Alemanha conclamou "todas as partes envolvidas a evitar uma escalada da situação e a buscar caminhos para uma solução política." Também defendeu o respeito ao direito internacional, afirmando que "os venezuelanos merecem um futuro pacífico e democrático." Aliados apoiam Trump A representação da Hungria na UE não respondeu imediatamente a um pedido de comentário pela Reuters sobre a sua não assinatura da declaração conjunta. O governo húngaro, liderado pelo primeiro-ministro Viktor Orbán, é simpático a Trump. Outros aliados dos EUA de Trump, como Israel e a Argentina, saíram na contramão da maioria dos países, congratulando o presidente republicano pela operação. Já a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, disse no sábado que "considera legítima a intervenção defensiva contra ataques híbridos à segurança (dos EUA), como no caso de entidades estatais que fomentam e promovem o tráfico de drogas". Ela ressaltou, entretanto, que "ação militar externa não é o caminho para terminar regimes totalitários". ht (Reuters, AFP, dpa)