Quarenta horas após incêndio na Suíça, uma mãe ainda procura seu filho

19:16 | Jan. 02, 2026

Por: Anne-Sophie LABADIE

"Não perco a esperança", disse nesta sexta-feira (2) a mãe de um adolescente suíço que desapareceu em um incêndio que deixou 40 mortos em um bar na estação de Crans-Montana, onde o jovem celebrava o Ano-Novo.

A última mensagem que Laetitia Brodard, moradora de Lausanne, recebeu de Arthur, a 0h03, dizia: "Mãe, feliz Ano-Novo, eu te amo."

"A 0h06, respondi: 'Te amo, querido'", contou Laetitia. A 1h28, ela assistiu a um vídeo que o filho havia enviado aos amigos, em que "estavam todos juntos à mesa, comemorando".

A 1h30, foi feita a primeira ligação para a polícia sobre o incêndio. "Foi a mesa do meu filho que pegou fogo? Não sei. Quarenta horas se passaram. Quarenta horas que nossos filhos estão desaparecidos. Precisamos saber", insistiu Laetitia, em frente a um memorial improvisado a poucos metros do bar Le Constellation.

"Se nossos meninos morreram, tudo bem, mas não podem nos informar em três ou quatro dias. Imagina se meu Arthur estiver agora em um hospital, sozinho ou sob cuidados intensivos, porque não foi identificado. Se estiver intubado e em coma. Como vamos saber que se trata de Arthur Brodard?", disse a suíça.

Laetitia divulgou amplamente o retrato de seu filho, nascido em fevereiro de 2009. Um dos amigos que estavam com ele conseguiu sair do bar. "Ele está com 45% do corpo queimado. Está sob cuidados intensivos, em Zurique", contou.

Segundo autoridades suíças, o processo de identificação será longo. "Fornecemos o DNA. Pediram que descrevêssemos as roupas, mas, como os últimos vídeos mostram, não há roupas [nos corpos carbonizados]. Então, só resta o DNA, e entendemos que isso leva tempo. Mas existem outras formas: uma foto de um dedo do pé, poderiam comparar as fotos das extremidades das pessoas vivas e saberíamos quem é", sugeriu.

- 'Quero estar ao lado dele' -

"Tivemos uma consulta às 10h de hoje" na célula de emergência montada pelas autoridades", contou Laetitia. "Recebemos muito pouca informação. São muito cuidadosos com as informações que dão aos pais, para não gerar falsas esperanças", observou.

"Falaram sobre quatro pessoas não identificadas, mas vivas. Na entrevista coletiva das 15h, esse número mudou, eram seis", comentou a suíça, que decidiu tentar obter informações de outras formas e contou que trabalha em parceria com outros pais de desaparecidos.

Por meio das redes sociais, Laetitia soube que "haveria civis de Crans-Montana, que foram os primeiros a intervir, que retiraram os nossos jovens".

"Fui ao CHUV [centro hospitalar de Lausanne]", contou a suíça, após alguém lhe dizer que havia visto seu filho na UTI. Mas a informação era falsa.

"O pai do Arthur esteve em Berna ontem à noite, até às 2h, para verificar o polegar. Eles nos mostraram o dedo de um pé. Recebi a foto do dedo de um pé. Perguntaram se era do meu filho", relatou Laetitia.

"Não critico as autoridades, estão fazendo o que podem. Mas temos que saber onde nossos filhos estão (...) Se tivermos que encontrá-los por conta própria, iremos a todos os hospitais onde nos disserem que talvez um dos nossos filhos possa estar", disse a suíça.

"Não nos deixem tanto tempo assim sem saber e sem estar com nosso filho. Se ele estiver no necrotério, quero estar ao lado dele. Se ele estiver na UTI (...) meu lugar é ao lado dele. Meu lugar não é aqui", insistiu Laetitia.

al/ag/mab-jvb/meb/lb/am