Expedição de empresa robótica diz ter encontrado avião de Amelia Earhart
Pioneira na aviação americana e primeira mulher a atravessas o atlântico sozinha, o paradeiro de Amelia Earhart é um dos maiores e mais duradouros mistérios da aviação que está a quase 90 anos sem respostas
21:55 | Fev. 06, 2024
Existem muitas incógnitas por trás do desaparecimento de Amelia Earhart, que desapareceu após decolar de Lae, em Nova Guiné, em um Lockheed 10-E Electra em 2 de julho de 1937.
Natural do Kansas, Earhart foi a primeira mulher a atravessar sozinha o oceano pacífico e tentava ser a primeira mulher a dar a volta ao mundo. Ela e o navegador Fred Noonan estavam a caminho da Ilha Howland para reabastecer a aeronave, mas nunca mais foram vistos.
Mas uma expedição realizada pela Deep Sea Vision, liderada pelo americano Tony Romeu, pode finalmente resolver um mistério que por mais de 80 anos segue rodeado por teorias e suposições do que pode ter acontecido com Amelia.
O presidente executivo da empresa de robótica marítima tem convicção que conseguiu encontrar os destroços do avião que levava Earhart e Noonan a partir de uma imagem de sonar captada em uma expedição realizada em 2023.
A imagem parece ter capturado um avião em uma profundidade de aproximadamente 5 km no Oceano Pacífico em algum lugar num raio de 160 km da Ilha Howland, mas Romeu não dá a localização exata de onde a sonar foi feita.
Ao The New York Times, ele afirmou crer que se trata do avião de Amelia, porque a captura mostra dois estabilizadores distintos na parte traseira da aeronave e as dimensões tem características próximas ao do bimotor Lockheed.
“Passamos 100 dias sem encontrar nada. Estávamos meio que brigando um com o outro. E, você sabe, aí está. Ele aparece na tela. E você sabe, você percebe naquele momento que fomos os primeiros a ver o avião de Amelia em cerca de 86 anos. Foi um momento incrível”, disse.
Romeu diz ainda que a tripulação de 16 membros da Deep Sea Vision só identificou a imagem no último dia de expedição, depois de 5.200 milhas quadradas terem sido escaneadas no fundo do mar entre Nova Guiné e a ilha.
Aviadora passou em Fortaleza um mês antes de seu desaparecimento
Em meio a sua aventura ao redor do mundo, Amelia Earhart passou pelo solo cearense. Seu voo chegou a Fortaleza em 4 de junho e foi noticiado pelo O POVO em 5 de junho de 1937. Um mês antes de seu sumiço.
“Amelia Earhart, que suplantou veteranos do voo, aterrissando na América depois de deslizar mil metros sobre um terreno escorregadio (a pista não era pavimentada), empreendeu uma descida perfeitíssima no nosso campo, a que ela teceu grandes elogios. Pouco depois, era dado aos circunstantes admirar a denotada mulher, que saltava da cabine vestindo trajes aéreos e com cabelos em desalinho”, relatava O POVO na sua edição de 5 de junho daquele ano.
Conforme os arquivos, Earhart ficou por Fortaleza cerca de três dias e se dedicou a fotografar tudo o que via. “Após 10 horas de voo, eu fiquei feliz em avistar Fortaleza, exatamente no local esperado e onde deveria estar de acordo com os mapas entre montanhas e o mar numa planície, a oeste do Cabo do Mucuripe”, pontuou a aviadora.
Ela conversou com a imprensa durante meia hora no Hotel Excelsior, no Centro, onde ficou hospedada. Veja a notícia.
Amélia Earhart desapareceu em 2 de julho de 1937 e pouco tempo depois, saiu no O POVO, em 12 de julho de 1937, uma nota que dizia que as esperanças de encontrar a aviadora. Amelia foi dada como morta em 5 janeiro de 1939, pouco mais de um ano depois. Seu desaparecimento é considerado até hoje um dos maiores e mais duradouros mistérios da aviação.