Montenegro processa fundador sul-coreano da criptomoeda Terra

11:24 | Mar. 24, 2023

Por: AFP

O fundador sul-coreano da criptomoeda Terra, Do Kwon, foi indiciado por falsificação de documentos e deve comparecer nesta sexta-feira (24) a um tribunal em Montenegro que analisará um pedido de extradição.

Do Kwon, cujo nome completo é Kwon Do-hyun, foi detido na quinta-feira no aeroporto de Podgorica, junto com seu diretor financeiro, Hon Chang Joon, sob um mandado de prisão sul-coreano.

Kwon, de 31 anos, é o fundador da Terraform Labs, empresa matriz da "criptomoeda estável" Terra, que faliu em maio de 2022. Ele é acusado de fraude pelo colapso de sua empresa, após o qual US$ 40 bilhões de investidores desapareceram.

"Uma queixa criminal foi apresentada contra ambas as pessoas por falsificação de documentos", informou a polícia de Montenegro.

Kwon comparecerá ao Tribunal Superior de Podgorica nesta sexta-feira, onde o pedido de extradição será examinado, disse um funcionário do tribunal à AFP, sem especificar o país que emitiu o pedido.

As autoridades montenegrinas indicaram, na véspera, que Kwon usou "documentos falsificados da Costa Rica", durante um controle para pegar um voo para Dubai.

Documentos de viagem da Bélgica e da Coreia do Sul foram encontrados durante a inspeção de sua bagagem, e as verificações da Interpol (a Organização Internacional de Polícia Criminal) revelaram que a documentação belga era falsa, disse o Ministério montenegrino do Interior.

Na Coreia do Sul, onde ele é acusado de violar as regras do mercado financeiro, o Ministério Público anunciou nesta sexta-feira que "tomará medidas para repatriar Kwon Do-hyung".

"Estamos trabalhando no processo", disse à AFP Kim Hee-kyung, porta-voz do escritório do distrito sul de Seul.

A Agência Nacional de Polícia da Coreia do Sul afirmou que "vai cooperar ativamente" com a Promotoria de Montenegro para garantir sua extradição.

Pouco depois de sua prisão, um júri federal dos Estados Unidos indiciou Do Kwon por oito acusações, incluindo fraude de ações e fraude online.

Kwon é acusado de "organizar uma fraude criptográfica bilionária", informou Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC, na sigla em inglês).

Ele é suspeito de ter fugido da Coreia do Sul, via Singapura, quando sua empresa faliu em maio de 2022.

Em setembro, o Ministério Público sul-coreano pediu à Interpol que incluísse seu nome na lista vermelha de pessoas procuradas e também retirou seu passaporte.

Após vários relatos de que Kwon voou para Singapura, as especulações sobre seu paradeiro aumentaram, especialmente depois que a polícia de Singapura informou que o empresário não estava no país.

A Coreia do Sul é membro da Convenção Europeia de Extradição, da qual Montenegro também é signatária, disse o Ministério da Justiça da Coreia do Sul em um comunicado.

"O Ministério da Justiça vai proceder ao processo de extradição, em conformidade com as leis e os acordos internacionais", acrescentou.

As criptomoedas estão sendo investigadas por reguladores em todo o mundo, após o colapso de vários ativos, incluindo a queda da plataforma FTX.

Muitas pessoas perderam suas economias quando as moedas digitais Luna e Terra de Kwon despencaram, levando as autoridades sul-coreanas a abrirem várias investigações.

"Kwon fez muito mal a muitas pessoas, com algo que trazia muitos riscos inexplicáveis", disse à AFP Cho Dong-keun, professor emérito de Economia da Universidade de Myongji, com sede em Seul.

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