Impunidade em caso de violência de gênero gera revolta na China

Um homem foi gravado pelas câmeras de segurança de sua casa batendo repetidamente em sua mulher, na frente do filho. A polícia anunciou que o homem permaneceria sob custódia por cinco dias e depois seria solto

06:43 | Jan. 25, 2022

A punição irrisória aplicada a um homem na China gravado agredindo sua esposa e o fato de a polícia ter culpado, em parte, a vítima causaram indignação sobre como estes casos são tratados pelas autoridades.

Os fatos ocorreram na semana passada durante o confinamento pelo coronavírus na cidade de Xi'an, no norte. Um homem foi gravado pelas câmeras de segurança de sua casa batendo repetidamente em sua mulher, na frente do filho.

A polícia anunciou que o homem permaneceria sob custódia por cinco dias e depois seria solto, reacendendo o debate sobre o ineficaz e precário sistema de criminalização da violência de gênero na China.

A revolta aumentou depois de um comunicado da polícia, informando que a briga aconteceu pelas "palavras e ações extremas" da mulher e que, desde então, ela já havia sido "criticada e educada".

"Os abusadores domésticos são punidos apenas com cinco dias de detenção, e depois se perguntam por que as mulheres chinesas não querem se casar, ou ter filhos", dizia um comentário publicado no Weibo, o "Twitter chinês".

"Não serve para nada confiar na lei para obter proteção contra violência doméstica quando tudo que eles fazem é criticar a vítima", comentou outro usuário.

O ataque causou "lesões nos tecidos moles" da mulher, disse a polícia sem dar mais detalhes.

Aprovada em 2016, a lei de violência doméstica da China pune os agressores com, no máximo, 20 dias de detenção. Penas maiores estão previstas apenas se houver lesões graves, e o dolo ficar comprovado.