Matéria escura está mais concentrada no universo do que se esperava; entenda o fenômeno

A tecnologia permite que pesquisadores tenham dados mais precisos e façam novas descobertas sobre o tema, ainda misterioso entre os especialistas

14:03 | Set. 14, 2020

Por: Leonardo Maia
Imagem feita pelo telescópio Hubble mostra as imagens obtidas por meio da lente gravitacional. (foto: Divulgação/Yale)

Matéria escura: esse é um tema que ainda gera muitas dúvidas entre estudiosos do espaço e entusiastas do assunto. A principal razão é a sua “invisibilidade”. Ainda que os pesquisadores tenham certeza da existência dessa parte do universo, que corresponde a pelo menos 95% da massa total, ela não emite luz e, portanto, não é visível. Sabe-se ainda que a matéria é importante “cola” para que as galáxias formem aglomerados.

Um novo estudo liderado pela astrofísica Priyamvada Narajaran, da Universidade de Yale, analisou imagens do telescópio Hubble e fez novas descobertas, distintas do pouco que já se sabia até agora. Os pesquisadores descobriram que a matéria escura está significativamente mais concentrada em vários pontos do universo.

“Isso é um ponto da realidade do universo que nós ainda não estamos conseguindo capturar em nosso modelo teórico. Isso pode ser um sinal do quão distantes estamos da natureza da matéria escura e suas propriedades”, disse Natajaran em entrevista ao portal Yale News.

Ainda que a matéria escura não emita luz, a forma que os cientistas encontram para tentar “mapear” o material pelo universo é por meio da curvatura da luz produzida pelos sistemas do universo. Isso é feito por meio de um método que usa a força gravitacional como forma de medição e pode ser usado tanto para uma grande quantidade de matéria como para pequenos objetos.

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O planejamento dos pesquisadores de Yale é continuar investigando a matéria escura e compará-la com os modelos teóricos já existentes. Natajaran explica que a tecnologia disponível atualmente, com dados de maior qualidade, permite que as imprecisões e anomalias sejam esclarecidas pelo campo científico. Ela pondera que o modelo atual pode ser descartado e uma explicação “totalmente nova” pode ser usado para descrever o fenômeno.