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Resgate dos corpos do voo 4U-9525 deve levar dias

16:08 | 24/03/2015
Airbus A320 da Germanwings cai nos Alpes franceses quando fazia o trajeto entre Barcelona e Düsseldorf e deixa 150 mortos. Caixa-preta é encontrada, mas local da queda dificulta acesso aos destroços. Uma aeronave Airbus A320 da companhia aérea alemã Germanwings, subsidiária da Lufthansa, caiu no sul da França na manhã desta terça-feira (24/03). O voo 4U-9525 fazia o trajeto entre Barcelona, na Espanha, e Düsseldorf, na Alemanha. Todas as 150 pessoas a bordo morreram no acidente. O avião caiu em uma região de difícil acesso em Alpes-de-Haute-Provence, nos Alpes franceses, entre as cidades de Digne-les-Bain e Barcelonnette. A aeronave foi completamente destruída na queda. "Tudo está pulverizado. Não é possível distinguir a forma do avião nem dos corpos", afimrou um integrante das equipes de resgate na França. O trabalho de regaste deve durar alguns dias, devido às condições climáticas. O governador de Alpes-de-Haute-Provence, Gilbert Sauvan, disse que o solo congelado dificulta a operação, que foi suspensa com a chegada da noite. A identificação dos corpos vai começar na quarta-feira. "Não há restos maiores do que um carro pequeno", disse Sauvan, sobre o estado do avião. Ele afirmou, ainda, que há pedaços humanos espalhados por várias centenas de metros. Cerca de 210 franceses trabalham no local do acidente e outros 350 foram enviados para região. A bordo da aeronave estavam 150 pessoas, sendo 144 passageiros, dois pilotos e quatro comissários de bordo. Entre as vítimas há 67 alemães e 45 pessoas com sobrenome espanhol. A nacionalidade dos demais não foi divulgada. No avião havia ainda um grupo de 16 estudantes e dois professores de uma escola na cidade alemã de Haltern am See. Eles voltavam da Espanha de uma viagem de intercâmbio. O prefeito Bodo Klimpel disse que este é o pior dia na história da cidade, de cerca de 37 mil habitantes. Causas ainda desconhecidas O voo 4U-9525 decolou de Barcelona às 9h55 (horário local). Ele deveria chegar a Düsseldorf às 11h55. No entanto, o avião emitiu um sinal de emergência às 10h47. O site flightradar24.com divulgou que o avião estava a 38 mil pés (11.582 metros), e o contato foi perdido a uma altura de 5 mil pés (1.524 metros). Os pilotos, porém, não enviaram qualquer alerta aos controladores. "Foi o controlador que enviou um alerta, porque havia perdido contato com o avião, por volta das 10h30", disse um porta-voz da Direção Geral de Aviação Civil da França. O piloto tinha mais de dez anos de experiência e cerca de 6 mil horas de voo acumuladas. O Airbus começou a cair um minuto depois de alcançar a velocidade de cruzeiro, ou seja, a velocidade ideal para o percurso. O avião perdeu altitude continuamente durante oito minutos. A aeronave era uma das versões mais antigas do modelo A320 e teria sido entregue em 1990. Segundo o presidente da Germanwings, Thomas Winkelmann, a última manutenção de rotina do avião foi realizada pela Lufthansa na segunda-feira. Na hora do desastre, o tempo era estável, apenas algumas nuvens encobriam a região. As causas da queda ainda são desconhecidas. O premiê francês, Manuel Valls, não descarta "nenhuma hipótese". O Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos, no entanto, afirmou que não há indícios de que o acidente tenha alguma relação com ato terrorista. De acordo com o ministro do Interior francês, Bernard Cazeneuve, a caixa-preta do avião foi encontrada. Os dados serão imediatamente analisados pelo Escritório de Investigações e Análises da França, que é responsável por investigar acidentes na aviação civil do país. Dia de luto A chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel, afirmou que a queda do avião é um "choque", que leva consternação a alemães, franceses e espanhóis. "Meus pensamentos e meus sentimentos, assim como os do governo alemão, estão agora junto às pessoas que perderam suas vidas de forma tão abrupta, entre elas, muitos alemães", afirmou. "O sofrimento das famílias é incalculável. Estamos fazendo tudo para que elas consigam toda ajuda e apoio necessários nessa hora." O Ministério do Exterior alemão montou, segundo ela, uma equipe de crise para coordenar os esforços em relação ao acidente. Merkel disse também que o ministro do Exterior, Frank-Walter Steinmeier, e o ministro dos Transportes, Alexander Dobrindt, seguiram nesta terça-feira para a região. "É a hora em que nós todos sentimos grande pesar, pensamos nas vítimas, em seus parentes e seus amigos", concluiu a chanceler. Merkel viajará para o local da queda na quarta-feira. Por causa do acidente, o presidente da Alemanha, Joachim Gauck, interrompeu uma viagem oficial pela América do Sul e voltará mais cedo para a Alemanha. Gauck encontra-se em Lima, no Peru, e planejava visitar o Uruguai. O rei da Espanha, Felipe 6º, também cancelou sua primeira viagem oficial à França poucas horas depois de tê-la iniciado. "Sabemos que há muitas vítimas e, entre elas, um número muito alto de espanhóis, alemães e turcos", disse o rei, após reunião de uma hora com o presidente francês, François Hollande. Solidariedade às famílias Pelo Twitter, Felipe 6º e a rainha Letizia expressaram solidariedade à família das vítimas. O presidente francês, François Hollande, afirmou que o acidente é uma "tragédia" e disse que, quando soube da notícia, imediatamente telefonou para Merkel para transmitir suas condolências. "É uma nova tragédia aérea. Temos que descobrir todas as causas dela", lamentou Hollande. O presidente do governo (primeiro-ministro) da Espanha, Mariano Rajoy, também se disse consternado com a queda da aeronave da Germanwings. Por causa do acidente, ele cancelou a programação que iria cumprir em visita que fazia à cidade basca de Vitoria, no norte da Espanha. "Estamos diante de uma notícia dramática e triste, com muitas perdas humanas", afirmou o chefe de governo espanhol. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, também expressou solidariedade e afirmou que seus pensamentos e orações estão com a Alemanha e a Espanha. Obama disse ainda que ligou para Merkel para oferecer assistência perante a tragédia. A Espanha decretou luto oficial de três dias a partir da meia-noite desta terça-feira. CN/dpa/rtr/afp/ap
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