Marcha festeja Dia Nacional da Visibilidade Trans em Fortaleza

Uma das primeiras edições de Marcha Trans na capital cearense agrupou centenas para gritar existência. Evento se somou a contexto de Pré-Carnaval

19:33 | Jan. 29, 2023

Por: Catalina Leite
Marcha lembrou o Dia da Visibilidade Trans em Fortaleza (foto: catalina leite)

Mais de 300 pessoas se reuniram em frente ao Porto Iracema das Artes para participar da Marcha Trans em Fortaleza neste domingo, 29 — data em que se celebra o Dia Nacional da Visibilidade Trans. A passeata saiu do ponto de concentração às 17 horas e marchou ao som de músicas pop até o Bar Cultural Lions.

A multiartista Ella Monstra, uma das organizadoras da Marcha e integrante do Carnaval no Inferno, explica que o movimento é uma possibilidade para construir novas narrativas para a comunidade trans.

"Enquanto pessoas trans, a gente sabe que infelizmente as nossas narrativas, principalmente na mídia, ainda são muito limitadas à violência, à morte. Então esse momento da marcha é para mostrar que estamos vivas, felizes, vivendo uma vida em coletivo."

Por isso, destacava-se sensação de estar em uma festa acolhedora durante todo o percurso. Com roupas coloridas, glitter pelo corpo, adereços e montagens, muitos dos transeuntes se perguntaram se era um bloco de Pré-Carnaval. Houve quem tirasse foto, filmasse e comemorasse junto: um ciclista inclusive tirou a camisa e rodou no ar no ritmo da música enquanto passava.

Por outro lado, O POVO também flagrou uma cena violenta. Na primeira parada, embaixo do viaduto em frente ao Mercado Central, um homem na garupa de uma moto tirou o boné e o utilizou para bater de raspão em um dos participantes da marcha. Ele seguiu caminho com xingamentos à vítima. Ninguém se feriu.

A marcha também promove a arrecadação de produtos de higiene e alimentos para a Casa Transformar, espaço de acolhimento para pessoas LGBTQIA+ em condição de vulnerabilidade social. As doações ficarão guardadas na Escola Porto Iracema das Artes, que seguirá aceitando arrecadações durante toda a semana do dia 30 de janeiro a 3 de fevereiro, nos horários de funcionamento.

"Quem quiser passar durante a semana, vai ser tudo!", convida Monstra.

Para a artista Levi Banida, fundadora da Banida Plataforma, é importante habitar e ocupar a cidade. "É um local de muita transgressão, de liberdade pra ser, estar e também para mudar, transitar", afirma.

Ao lado do artista visual Arrudas Maria, Levi levou duas faixas com os dizeres: "Pessoas não-binárias existem" e "Pessoas binárias não existem". "É pra gente pensar um pouco sobre como a binariedade é uma falácia. Ninguém dá conta de ser 100% o que é esperado para homem e para mulher. É fracassado pensar que as pessoas vão dar conta de ser uma figura", comenta.

O Dia Nacional da Visibilidade Trans é comemorado no Brasil no dia 29 de janeiro desde 2004. A data visa celebrar a existência trans e a resistência da comunidade trans e travesti dentro do movimento LGBTQIA+ brasileiro.