Fortaleza: 13,5% dos estudantes já faltaram aula por falta de segurança nas escolas
Dentre as capitais nordestinas, Fortaleza tem ainda o maior percentual de estudantes que passaram por algum tipo de importunação sexual
08:00 | Set. 18, 2021
Fortaleza tem o quarto maior percentual de adolescentes que deixam de ir à escola por questões de segurança. 13,5% dos adolescentes, sendo 15,8% oriundos de escolas públicas, relataram falta de segurança no estabelecimento de ensino. O percentual é maior que em cidades mais populosas, como Rio de Janeiro e São Paulo.
Os dados são da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2019, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que entrevistou alunos do 7º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio. Foram 11,8 milhões de estudantes participantes de 13 a 17 anos. Desses, 7,7 milhões tinham de 13 a 15 anos e 4,2 milhões, de 16 ou 17 anos.
O IBGE concluiu ainda que a insegurança nos trajetos de ida e volta para a escola fez com que 14% dos escolares da capital faltassem aula nos 30 dias anteriores à pesquisa. A maior ocorrência foi com alunos de escolas públicas (16,2%) ante 8,7% de incidência com alunos de escolas privadas.
Nos 30 dias anteriores à pesquisa, 10,5% dos alunos estiveram envolvidos em brigas com luta física. Já 2,8% dos alunos estiveram envolvidos em brigas nas quais alguma pessoa usou arma de fogo e 4,9% se envolveram em briga na qual uma pessoa usou arma branca.
Violência física e sexual
A PeNSE 2019 mostrou que 22,9% dos alunos de Fortaleza sofreram alguma agressão ou acidente nos últimos 12 meses, maior percentual entre todas as capitais. Dentre esses, 41% deixaram de realizar atividades habituais ou tiveram que procurar um serviço de saúde.
Nesse período, 23,6% dos alunos afirmaram ainda ter passado por agressões físicas causadas por pai, mãe ou responsável. Desses, 25,2% eram de escolas privadas, ante 23% de escolas públicas.
De acordo com a pesquisa, 19,5% dos alunos de 13 a 17 anos de Fortaleza foram tocados, manipulados, beijados ou passaram por situações de exposição de partes do corpo contra a sua vontade alguma vez na vida. Dentre as capitais nordestinas, Fortaleza apresentou o maior percentual.
Nas escolas públicas e privadas a porcentagem de alunos vítimas desse tipo de ato é quase a mesma, sendo 19,3% de instituições privadas e 19,6% de públicas. O percentual de meninas (26,3 %) que reportaram ter passado por esse tipo de ato é maior que o de meninos (12,5%).
Entre os alunos que sofreram esse tipo de abuso, 26,7% relataram que partiu de um amigo(a), 25,7% afirmaram ser de um namorado(a), para 23,2% foi de um desconhecido, 17,4% por parte de outros familiares, 15,6% afirmaram que foram outras pessoas e 4,2% foi da parte do pai, mãe, madrasta ou padrasto.
Os resultados mostraram ainda que 7,4% dos escolares da Capital do Ceará já foram obrigados a ter relação sexual contra a sua vontade e nesse caso, as meninas também prevalecem como vítimas (9,3%), em comparação com meninos (5,5%). Os principais apontados de cometer tal violência foram o namorado ou namorada (25,7%) e familiares (26,2%).
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