O erro bilionário de ignorar território: como lideranças femininas e Casa Azul Ventures investem em bioeconomia para redefinir o lucro na Amazônia

Líderes de inovação, como a amapaense Erika Bezerra, desbravam nova lógica econômica na Amazônia Setentrional, provando que a diversidade é o único caminho para a competitividade global.

11:04 | Jan. 28, 2026

Por: Estudio O POVO
A presença feminina na inovação deixou de ser pauta de ativismo para se consolidar como um imperativo econômico (foto: Divulgação)

O ecossistema brasileiro de inovação vive um paradoxo caro. Dados do Observatório do SEBRAE, divulgados em 2024, apontam que, de um lado, o número de mulheres fundadoras de startups no Brasil saltou de 8,65% para 31% em apenas um ano. Do outro, a "ponta do cheque" continua fechada para elas que recebem apenas 12% dos recursos de capital de risco no país.

Quando afunilamos esse dado para a região Norte (que recebe menos de 1% dos investimentos nacionais de Venture Capital), o cenário revela uma falha de mercado sistêmica. Contudo, onde o investidor tradicional vê risco, a Casa Azul Ventures e lideranças da região norte do país, como a amapaense Érika Bezerra enxergam a maior oportunidade de arbitragem econômica da década: a bioeconomia impulsionada pela diversidade.

Não é opinião, é dado. A presença feminina na inovação deixou de ser pauta de ativismo para se consolidar como um imperativo econômico. A prova disso reside em dados globais contundentes que explicam o que está acontecendo hoje no Amapá e na Amazônia.

A diversidade e bioeconomia como tese de investimento

Longe da Faria Lima e do Vale do Silício, no Meio do Mundo, uma microrrevolução está corrigindo essa falha. Na Amazônia Setentrional, a inovação tem rosto, estratégia e uma arquitetura liderada por mulheres. Érika Bezerra é a personificação do que a Harvard Business Review chama de "Diversidade Bidimensional": a união de atributos inerentes (gênero e vivência territorial) com competências adquiridas em décadas de atuação técnica.

Professora do Instituto Federal do Amapá (IFAP), consultora do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Head do Hub Amazoom, Érika transita com fluidez entre a academia, o setor público, sociedade civil e o mercado.

"O Amapá e a Amazônia precisam de capital inteligente e método para escalar o que já nasce com propósito. Estamos provando que a diversidade não é pauta social, é o único caminho para a competitividade global", afirma Érika.

O mapa da inovação brasileira ainda sofre de uma miopia geográfica severa. O Norte detém a maior extensão territorial do país, uma população vibrante, empreendedora, e um PIB impulsionado pela riqueza da biodiversidade.

 

No entanto, o investimento em Venture Capital não reflete essa grandeza. Essa desconexão entre o tamanho geográfico, o peso econômico e a alocação de recursos cria um vácuo que a Casa Azul Ventures decidiu preencher.

Para a Casa Azul, equilibrar essa balança não é apenas uma questão de justiça territorial, mas de visão estratégica. O objetivo da aceleradora, ao se estabelecer no Amapá através do Hub Amazoom de Inovação, é transformar essa realidade, acreditando piamente que as lideranças femininas são as grandes agentes dessa mudança.

Pela sua capacidade intrínseca de articular redes e unir o conhecimento ancestral à visão técnica, as mulheres do Norte conseguem enxergar valor onde o mercado tradicional vê apenas a invisibilidade. Além de empreender, elas estão construindo a ponte que finalmente conecta o capital privado à riqueza real da floresta, garantindo que a inovação gere, simultaneamente, renda para quem vive no território e retorno para os investidores.

A materialização dessa tese aparece em projetos como a startup Amazon Bioprotein, co-fundada por Érika. Ao transformar o cariru em suplementação proteica natural, ela uniu o saber tradicional das comunidades à pesquisa de ponta. Empreendendo ao lado de sua mãe, Antônia Bezerra, ela valida um modelo de negócio intergeracional que promove a conservação da floresta e o uso sustentável da biodiversidade amazônica.

Essa abordagem converge diretamente com a missão central da Casa Azul: gerar transformação social através dos negócios. Não se trata apenas de acelerar empresas, mas de criar formas para que o ribeirinho e o empreendedor local gerem renda com dignidade e escala.

Hub Icamiabas: da correção sistêmica à escala global

Combater a "solidão no topo", onde apenas 17,4% das empresas brasileiras possuem liderança feminina, exige mais que mentorias isoladas; exige estrutura e correção sistêmica.

Foi com essa visão que nasceu, no final de 2025, o Hub Icamiabas Amapá. Articulado por Érika Bezerra e Michele Mesquita, o hub já reúne 65 líderes femininas e opera sob uma lógica de dados. O nome é uma referência às lendárias guerreiras amazônicas, mas a estratégia é pura eficiência de mercado.

“Não se trata de empoderamento abstrato, mas da construção de um pipeline qualificado para investimento. Se mantivermos o ritmo atual, conforme os números apresentados pelo relatório do Observatório do Sebrae, a paridade de gênero levaria décadas, atravessando gerações. O Amapá, com o apoio da Casa Azul, decidiu que não vai esperar” afirma, Érika Bezerra.

Ao integrar academia, startups de bioeconomia e capital inteligente, a região constrói as estruturas que definirão o futuro econômico do país. Para a Casa Azul Ventures, a diversidade impulsiona a inovação e o market share. Continuar olhando apenas para o Sudeste não é mais uma estratégia segura para o investidor. O próximo unicórnio da bioeconomia pode estar sendo construído agora, no meio do mundo, liderado por uma mulher.

A pergunta que fica para o mercado é: o seu capital vai participar dessa transformação ou vai assistir de longe?

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Por Cíntia Souza