Com tarifaço, EUA caem para 2º no ranking do café brasileiro
Segundo o presidente do Cecafé Brasil, Márcio Ferreira, no período do tarifaço (de 50%) as exportações para os Estados Unidos caíram 55%
11:48 | Jan. 21, 2026
As exportações de café caíram 20,8% em 2025, para 40 milhões de sacas (de 60 quilos), mas mesmo assim a receita foi recorde: US$ 15,6 bilhões, crescimento de 24,1% sobre o ano anterior. Os dados foram divulgados pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
O Brasil vendeu o produto para 121 países. Como efeito do tarifaço, que durou quase quatro meses – mas ainda vale para o café solúvel –, os Estados Unidos caíram para o segundo lugar no ranking das exportações, com 13,4% de participação.
Pouco à frente, a Alemanha tem 13,5%. Na sequência, vêm Itália, Japão e Bélgica. Dos cinco, apenas as vendas para o país asiático tiveram alta em relação a 2024 (+19,4%). Além do Japão, aumentaram as vendas para a Turquia (+3,3%), sexta colocada, e para a China (+19,5%), décima importadora. (Veja no final os dez principais, que respondem por 64% das exportações brasileiras.)
Segundo o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, no período do tarifaço (de 50%) as exportações para os Estados Unidos caíram 55%. "Além disso, como a tributação sobre o café solúvel não foi retirada, o declínio nas exportações desse produto se acentua", afirmou. No total do ano, o mercado norte-americano importou 5,4 milhões de sacas, queda de 33,9%.
Ainda de acordo com Ferreira, a redução da quantidade de sacas já era esperada, depois de resultados recordes no ano anterior. "Exportamos um volume histórico em 2024, reduzindo o montante de café armazenado no país", afirmou. "E a safra do ano passado foi impactada pelo clima, combinação que culminou na limitação da disponibilidade do produto."
Ele atribuiu o recorde na receita ao cenário internacional e a investimentos dos produtores. "Tivemos médias mensais de preço maiores em 2025 e nossos cafeicultores mantêm seus investimentos em tecnologia, inovação e qualidade", disse.
De acordo com ele, o Brasil é a única origem do mundo que consegue exportar para mais de 120 países, respondendo por mais de um terço do market share global. Em dezembro, o valor médio da saca do café tipo arábica era de US$ 446,41.
Mesmo assim, ele apontou deficiências estruturais no setor, que estariam impedindo melhor aproveitamento comercial do produto – e, inclusive, provocando perdas.
A Cecafé fala em prejuízo de R$ 61,5 milhões até novembro. "Apesar dos recordes anunciados pelas autoridades, a falta de estrutura adequada para cargas conteinerizadas nos portos gerou prejuízo aos associados", afirmou Ferreira. Segundo ele, isso se deu devido a custos extras com armazenagens adicionais, pré-stacking [operação logística] e detentions [multa], "resultados do atraso e das alterações de escalas dos navios." O porto de Santos (SP) concentra 78,7% do total das exportações.
Entre os tipos de café, o arábica teve 32,3 milhões de sacas exportadas – 80,7% das vendas, mas com queda de 12,8% em relação a 2024.
A espécie canéfora responde por 10% (4 milhões de sacas) e o café solúvel, por 9,2% (3,7 milhões). Os chamados cafés diferenciados (com certificado de práticas sustentáveis e especiais) correspondem a 20,3% das exportações (8,1 milhões de sacas, volume 10,9% menor na comparação anual).